Brasil poderá ser 3º maior mercado de veículos

Por Freelers

- outubro 23, 2012

Cinco ou seis montadoras devem aportar no País nos próximos três anos

O setor automotivo está de olho no Brasil, que pode se tornar, nos próximos anos, o terceiro maior mercado mundial de veículos. Várias montadoras já anunciaram suas intenções de implantarem fábricas no País recentemente, mas o Ceará, que já há algum tempo vem brigando para garantir uma planta de grande porte em seu território, ainda vem sendo preterido, mesmo para outros estados nordestinos. Na última semana, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, adiantou que cinco ou seis montadoras devem aportar no País nos próximos três anos, e o Estado deve entrar na disputa por uma delas.

Uma dessas novas fábricas éa da BMW, que já decidiu por Santa Catarina, que irá receber, em seu município de Araquari, um investimento de cerca de R$ 1 bilhão. O ministro não divulgou, contudo, quais seriam as outras montadoras interessadas em se instalar no Brasil, nem que estados estariam sendo cogitados.

Ainda este mês, a chinesa JAC Motors iniciará a construção de sua unidade em Camaçari, Bahia, que está orçada em cerca de R$ 900 milhões. Já há alguns anos ventilava-se a possibilidade de a empresa se instalar no País, e o Ceará chegou a ser um dos citados como possíveis contemplados com a planta. Outra disputa que o Estado perdeu foi com a também chinesa Chery, que está em fase avançada de instalação no município de Jacareí, em São Paulo.

Atualmente, o Ceará conta com uma fábrica da Troller e tem em instalação uma da TAC Motors, ambas de menor porte e focadas em um nicho especializado, o off road.

Além da Bahia, que já havia entrado nesse mercado em 2001, com a fábrica da Ford, Pernambuco também ganhou seu espaço no segmento, com a entrada da Fiat, que está instalando no município de Goiana um complexo fabril orçado em R$ 4 bilhões, que inclui a montadora, pista de testes, campo de provas (o único fora da Itália), centros de pesquisa e desenvolvimento e de capacitação e treinamento.

O governador Cid Gomes já havia chegado, inclusive, a se reunir com o ministro Pimentel, em abril último, para estabelecer uma proposta tributária diferenciada para agregar valor à lista de incentivos que o Estado pretende oferecer para trazer uma grande marca produtora de automóveis para o Ceará. Os benefícios, contudo, não chegaram a ser divulgados, por motivos estratégicos, como foi dito.

Superar o Japão – Atualmente, o Brasil é o quarto maior mercado mundial de veículos – atrás apenas do Japão, dos Estados Unidos e da China – e sexto maior fabricante. A expectativa do setor e do próprio governo brasileiro é de que nos próximos anos o País desbanque o Japão nesse ranking.

As projeções das montadoras é de um mercado anual de 5 milhões a 6 milhões de veículos até o ano de 2020.

“O Brasil tem condições de ser o terceiro maior mercado mundial, mas para isso terá de melhorar as condições de renda da população”, diz o consultor da André Beer Consult, André Beer. Em 2011, foram vendidos no País 3,6 milhões de veículos, e a previsão é de um crescimento de 3% a 5% neste ano.

Quase metade das vendas de automóveis no País são de modelos compactos, segmento que terá várias novidades no Salão do Automóvel deste ano, entre as quais o novo Clio que a Renault trará da Argentina e o Peugeot 208 que será fabricado em Porto Real (RJ). Os recém-lançados modelos Hyundai HB20 e Toyota Etios serão os destaques das duas montadoras asiáticas que acabam de inaugurar fábricas em Piracicaba e Sorocaba (SP), respectivamente.

As duas chinesas em instalação no País, JAC Motors e Chery, já se pronunciaram satisfeitas com o novo regime automotivo, um programa de incentivos para aumentar a competitividade do segmento nacional, lançado este mês pelo governo federal, e que entrará em vigor em 2013. O presidente da JAC Motors Brasil, Sergio Habib, afirmou à imprensa na semana passada que o regime “flexibiliza as severas condições atuais e garante as condições necessárias para dar o pontapé inicial à construção”.

Já a japonesa Nissan foi a primeira montadora habilitada pelo governo a operar dentro do novo regime, que é chamado de Inovar Auto. O novo regime, contudo, não traz benefícios específicos para a região Nordeste, o que, para alguns analistas, faz com que a região perca em competitividade na atração de plantas industriais para o Sul e Sudeste, mais próximos dos principais mercados consumidores.

Diário do Nordeste – CE

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