A greve dos caminhoneiros abriu uma janela de oportunidade para o Brasil abrir discussões sobre a sua logística. Segundo o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Guto Ferreira, rediscutir a matriz de transporte de cargas é essencial para o futuro da economia brasileira.
Em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a ABDI prepara um estudo estratégico sobre o tema, dentro do contexto da quarta revolução industrial. O Brasil precisa se preparar para ter logística 4.0, na avaliação do presidente.
“Uma discussão urgente e necessária. Este estudo será o maior já feito no país e poderá nortear o estado sobre os investimentos necessários que devem ser feitos nos próximos 15 anos”, diz Ferreira.
Para ele, o custo atual é, além de alto, ineficiente. “Dentre outros motivos, pela pouca diversificação de modais de transporte”, avalia. O Plano Nacional de Transporte e Logística (PNLT) do Ministério dos Transportes projeta que a utilização de ferrovias deveria crescer 35%, enquanto as hidrovias deveriam ampliar em 29% seu uso.
Dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) apontam que de cada dez produtos transportados no Brasil, seis são enviados por rodovias (61,1%). As ferrovias são utilizadas em 20,7% dos deslocamentos e o transporte aquaviário responde por 13,6%. Encerram a lista os tipos dutoviário (4,2%) e aéreo (0,4%).
