A Câmara de Comércio Exterior (Camex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) aprovou a aplicação de medida antidumping de proteção comercial que beneficia as fabricantes de pneus para veículos comerciais. Desta vez, a medida é destinada às importações de pneus radiais novos para caminhões e ônibus, aros 20, 22 e 22,5 para serem usados com ou sem câmara de ar, conforme Resolução nº 107 publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira, 24.
De acordo com a resolução, o produto será taxado de acordo com seu país de origem. A medida é válida para importações da África do Sul, Coreia do Sul, Japão, Rússia, Tailândia e de Taipé (China). O órgão informa que para as importações brasileiras do produto originárias do Japão, e sempre que fabricados e exportados pela empresa Sumitomo Rubber Industries (SRI), foi homologado compromisso de preços.
A medida atende a uma antiga reivindicação da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos) que, há tempos, reclama da grande participação dos produtos importados no mercado brasileiro, da ordem de quase 40%.
Alberto Mayer, presidente executivo da entidade, afirma não ser contra as importações, uma vez são necessárias para atender a determinadas faixas de produtos cuja demanda não justifica a produção no país. “Só não queremos é a concorrência desleal, com dumping nos preços ou, como acontece muitas vezes, sem que o importador suporte o custo de logística reversa pelos pneus que trazem do exterior”, explica o dirigente.
De janeiro a setembro de 2014 a produção brasileira de pneus atingiu 51,91 milhões de unidades, praticamente repetindo o nível de 2013 (51,40 milhões). Apesar da estabilidade da demanda, as vendas feitas pelos associados da ANIP às montadoras de veículos acusaram uma queda 18,5% (de 17,51 milhões para 14,28 milhões). A redução porcentual foi similar nas principais categorias de pneus: carga (-19,3%), passeio (-19,4%), camionetas (-17,4%), duas rodas (-16,0%) e agrícola (-18,2%). “Nosso setor depende muito do desempenho da indústria automotiva, que teve um resultado ruim nos primeiros nove meses”, comenta Alberto Mayer.

