O mesmo estudo da NTC&Logística, que apontou que a norma P7 não trouxe grandes ganhos na redução do consumo de combustível dos motores Euro 5, revelou também que a prática de desabilitar o sistema do ARLA 32 está bem disseminada entre empresas e transportadoras autônomos.
O estudo promovido pela Decope (Departamento de Estudos Econômicos e Custos Operacionais), órgão da NTC&Logística, ouviu um total de 113 empresas, todas ligadas ao transporte rodoviário de cargas. Questionadas sobre a prática condenável de desabilitar o sistema de tratamento de gases de escape, quarenta empresas (35,4% da mostra) admitiram terem conhecimento desse tipo de ação. Mas, apenas 9 (8%) informaram que pretendem instalar sistema emuladores do Arla 32, oferecidos em anúncios na internet, a preços entre R$ 400,00 e R$ 600,00
Consultando-se sites que tratam do assunto, nota-se uma grande revolta dos carreteiros e pequenas empresas com a obrigatoriedade de usar o Arla 32 e com a ausência de incentivos oficiais ao uso dos caminhões Euro 5. “Não era para cobrar imposto nenhum sobre essa porcaria de Arla e ter desconto no diesel S10, mas não: aqui tudo é ao contrário. Um caminhão velho polui e paga menos e os novos são todos mais caros. Resumindo, tem que isolar essa porcaria mesmo, pois nós proprietários de caminhões Euro 5 não somos compensados em nada”, diz um dos participantes do blog. “Eu já isolei o Arla do meu Volvo e passei o maçarico no catalisador, arrancando a tela da entrada e da saída. Ganhou potência e economia”, afirma outro caminhoneiro.
Há outras manifestações na mesma linha: “Eu tenho 10 caminhões, 5 Volvo e 5 Scania e removi o Arla de todos. A economia é muito grande. Quanto ao catalisador entupir, é só andar 200 km por semana com o Arla ligado que nunca vai entupir”, garante outrousuário. “Tem um fusível que pode ser retirado e desligar o sistema de Arla 32. Vocês podem retirá-lo e seguir viagem e, ao notar alguma perda de potência, coloquem o fusível de volta e desliguem a chave geral do veículo por uns 20 segundos, e religuem. Rodem uns 100 km, verifique se a potência do carro voltou e retirem o fusível novamente”, ensina um terceiro, sem qualquer conhecimento do assunto. “Gostaria de informar que todos os problemas tais como Arla32, valvula EGR, DPF (filtro de partículas) podem ser solucionados com apenas uma reprogramação eletrônica na central. Somos especialistas”, promete o fornecedor em anuncio da internet.
Por oportuno, é possível encontrar também uma advertência do IBAMA sobre tal prática: “O Ibama alerta os proprietários de veículos movidos a óleo diesel fabricados a partir de 2012, (…) com a tecnologia SCR, que modificações (…) que visem a enganar o sistema de controle de emissões, para a não utilização do ARLA 32, certamente causarão problemas técnicos aos veículos, que, por sua vez, trarão prejuízos financeiros futuros, além de configurarem ilícito ambiental, tanto para quem vende/executa a instalação quanto para o proprietário do veículo, passível de multa que pode chegar a R$ 50 milhões.”