Apesar de a safra de soja de Mato Grosso ter sido iniciada com ameaça de pragas e de doenças –como helicorverpa, mosca branca e ferrugem asiática–, esperavam-se números recordes de produtividade e de produção no início da colheita. As chuvas intensas dos últimos dias trouxeram, no entanto, mais um componente de instabilidade ao setor. Além de provocar uma desaceleração no ritmo da colheita no campo e de impedir o transporte, a chuva provocou uma elevação recorde no valor dos fretes.
O transporte de uma tonelada de soja de Sorriso (MT) a Santos (SP) subiu para R$ 330, superando o recorde de R$ 320 da safra passada. Com a alta, o custo do transporte equivale a 37% do valor da soja no mercado disponível de Mato Grosso, segundo o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).
“A situação é crítica, mas ainda pode ser revertida”, diz Carlos Fávaro, presidente da Aprosoja (associação que congrega os produtores em Mato Grosso). Uma interrupção das chuvas, o que já começa a ocorrer, permitirá um aumento de ritmo de produção e de saída da soja das lavouras para os portos, acredita Fávaro.
Os meses de janeiro a março sempre são períodos de chuva na região, mas a situação deste ano repete o excesso de 2004. Parte das estradas não aguentou esse excesso de chuva, que colocou vários municípios em estado de alerta e impediu a saída da safra pelo Norte. “Ao menos 500 caminhões estão à beira da BR- 163 esperando por uma melhora do tempo”, diz Fávaro.
Para o presidente da Aprosoja, a situação volta ao normal com dois ou três dias de sol e com a ação dos departamentos governamentais responsáveis pelas estradas. A produção retoma o ritmo, o frete recua e a saída de soja aumenta, acredita ele. “Mas já há perdas, principalmente no médio norte do Estado”, afirma Fávaro.
Apesar das chuvas, as estimativas de produção para o Estado ainda são recordes. Os dados mais recentes do Imea apontam para uma safra de 26,9 milhões de toneladas, 14% mais do que a do ano passado. Já a produtividade médiasobe para 54 sacas por hectare, 8% mais do que em 2013.
FONTE: Folha de São Paulo – SP
