A ineficiente logística brasileira é um dos principais obstáculos da competitividade nacional, afirmaram os empresários presentes ao evento. O Brasil possui 1,7 milhão de quilômetros de rodovias, sendo que 12% são pavimentadas e 0,5% têm pistas duplas. Segundo recente pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), 36,2% da malha é boa ou ótima. O modal rodoviário representa pouco mais de 60% da circulação de mercadorias no Brasil. Já nas ferrovias, que respondem por cerca de um quarto do escoamento de bens, a velocidade em trechos metropolitanos chega a menos de 20 km/h, por conta da disputa entre trens de carga e de passageiros.
Além das carências da infraestrutura física, o setor convive com outros obstáculos. “Há uma grande quantidade de agentes presentes no setor de transportes de cargas pelos portos e um cipoal de leis, decretos, portarias”, ressaltou o presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Willem Manteli. Segundo um estudo, desde a Constituição de 1989, já foram publicadas 4,7 milhões de normas no Brasil. “Isso cria insegurança jurídica”, disse. O setor terá um grande desafio nos próximos anos: a movimentação de cargas, hoje em cerca de 900 milhões de toneladas por ano, deverá superar dois bilhões de toneladas até 2030. “Isso exigirá a ampliação de investimentos privados e um marco regulatório atraente, porque a demanda será crescente”, ponderou. Entre 2001 e 2012, a movimentação cresceu 78%.
De acordo com o presidente da AssociaçãoNacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça, a logística ferroviária ganharia em agilidade e custo se o processo burocrático na construção fosse simplificado. Segundo ele, o setor poderia ganhar 40% no tempo de construção caso os licenciamentos regulatórios e ambientais saíssem com mais celeridade.
A redução de burocracia também teria impacto sobre as encomendas expressas, que envolvem mercadorias de até 70 quilos e são uma das principais ferramentas usadas por pequenas e médias empresas para importar ou exportar produtos. Nadir Moreno Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas (Abraec), afirmou que existem restrições para exportar e importar bens, sendo que a declaração simplificada de exportação está limitada a valores de até US$ 50 mil. “Isso complica o fomento às pequenas e médias empresas terem melhores condições de exportar”, afirmou. Em 2012, foram embarcados 3,2 milhões de quilos, enquanto foram trazidos do exterior 6,9 milhões de quilos. “Há um potencial grande de crescimento”, afirmou.
Fonte.: Valor Econômico
