WTorre investe R$ 1 bilhão ao ano em expansão logística

Por Gustavo Queiroz

- agosto 14, 2025

WTorre galpões logísticos

A WTorre está direcionando seus investimentos para regiões tradicionalmente negligenciadas pelo mercado institucional, com planos de aplicar cerca de R$ 1 bilhão anualmente em projetos de galpões de alto padrão. Cidades como Goiânia (GO), Londrina (PR), Araçatuba (SP) e Bauru (SP) passam a integrar a estratégia da empresa, que busca capitalizar a escassez de oferta de espaços qualificados, inclusive fora do eixo Sudeste.

Dados internos da companhia mostram que Goiânia, por exemplo, registrou um crescimento médio de 100 mil m² ao ano em estoque logístico desde 2010, atingindo mais de 3 milhões de m² entre galpões monousuários e condomínios. No entanto, a oferta de novos empreendimentos está praticamente paralisada, sem estoque especulativo relevante em pipeline. “Fora do Sudeste, não há praticamente nenhuma oferta de galpões classe A acima de 30 mil metros quadrados, apesar da demanda crescente. É aí que está o nosso foco”, afirma Abiner Oliveira, diretor de negócios da WTorre.

A empresa já adquiriu terrenos na região de Goiânia e avança nas etapas de aprovação para um projeto de 80 mil m². A estratégia surge em um contexto de saturação nos polos logísticos tradicionais, onde limitações de infraestrutura e falta de mão de obra qualificada pressionam a viabilidade de novos projetos. Além disso, possíveis mudanças na tributação – com a taxação no destino – podem acelerar a migração de investimentos para outras regiões.

Com histórico de mais de 8 milhões de m² desenvolvidos e expertise em build-to-suit, a WTorre planeja entregar 300 mil m² de área bruta locável (ABL) anualmente, equivalente a aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos por ano. “Estamos estruturando projetos em diversas capitais e cidades com mais de 300 mil habitantes. Essas regiões, muitas vezes tratadas como secundárias pela lógica de São Paulo, são mercados primários em seus estados”, complementa Oliveira.

Um dos principais obstáculos para a expansão em mercados emergentes, segundo a WTorre, é a precificação inadequada de terrenos, muitas vezes sem estudos técnicos que embasem valores realistas. “Nenhum projeto logístico se viabiliza com aluguéis abaixo de R$ 27/m². Em regiões como Curitiba e Itajaí, é necessário superar R$ 30/m² para garantir retorno”, explica o executivo.

A companhia também mira nichos em ascensão, como galpões climatizados para o setor farmacêutico e áreas retroportuárias, segmentos ainda pouco explorados devido aos altos custos de construção, que ultrapassam R$ 7 mil/m², segundo a empresa. A aposta da WTorre reforça a tendência de descentralização do mercado logístico nacional, indicando um novo ciclo de valorização em praças antes subestimadas. O movimento sugere que, onde há demanda reprimida e falta de produto qualificado, surgem oportunidades tanto para investidores quanto para o desenvolvimento econômico regional.

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