Em um contexto em que o transporte rodoviário de cargas responde por mais de 90% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do setor de transportes no Brasil, de acordo com dados do Observatório da Mobilidade da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a descarbonização da logística deixou o campo das discussões teóricas para se tornar um imperativo técnico-operacional e um diferencial competitivo concreto.
Neste contexto, a West Cargo, especializada em operações para o Comércio Exterior, está executando uma transição energética metódica, fundamentada em critérios técnicos rigorosos e análise de dados em tempo real. A empresa iniciou em 2025 uma fase de testes operacionais com veículos a Gás Natural Veicular (GNV) e elétricos, projetando investimentos mais robustos a partir de 2026, em um movimento que visa alinhar eficiência logística, redução de custos no ciclo de vida (TCO – Total Cost of Ownership) e resultados ambientais auditáveis.
A estratégia foi concebida para mitigar os riscos inerentes à adoção de novas tecnologias em um mercado com infraestrutura ainda em consolidação. Conforme explica Hélio J. Rosolen, presidente da West Cargo, o plano é necessariamente gradual e ancorado em dados empíricos. “A transição energética no transporte de cargas exige uma abordagem segmentada, que considere a viabilidade técnica por tipo de rota e operação. Não se trata de uma substituição abrupta, mas de uma integração inteligente e segura, que começa pela capacitação das equipes e adequação da infraestrutura de apoio“, afirma o executivo. A empresa adquiriu dois caminhões a GNV e um veículo elétrico, inserindo-os em rotas previamente selecionadas com base em um rigoroso crivo analítico.
A seleção dessas rotas-piloto seguiu critérios operacionais, técnicos e financeiros bem definidos. Foram priorizados trajetos com perfil operacional previsível, autonomia compatível com a tecnologia empregada e relativa disponibilidade de infraestrutura de abastecimento ou recarga. A análise técnica considerou minuciosamente a arquitetura veicular, a capacidade de carga, o ciclo de operação (incluindo tempos de parada para recarga/abastecimento) e os índices de confiabilidade esperados. Financeiramente, a decisão foi pautada por uma avaliação abrangente do TCO, do retorno sobre o investimento (ROI), da relação entre custos de capital (CAPEX) e operacionais (OPEX) e, fundamentalmente, do custo por quilômetro rodado. “O objetivo é reduzir o risco tecnológico, validar a escalabilidade futura e comprovar, com métricas precisas, os ganhos em eficiência energética e a redução nas emissões de CO₂ equivalente (CO₂e)“, detalha Rosolen.

Para capturar e processar essas métricas, a West Cargo potencializa sua tecnologia de gestão de frota. Através de sistemas de telemetria avançada, são coletados em tempo real indicadores críticos como consumo energético (kWh/km ou m³ de GNV/km), custo operacional por quilômetro, disponibilidade mecânica e, de forma estimada com base em fatores de emissão validados, as emissões de CO₂e. A comparação lado a lado com a frota convencional a diesel é feita em dashboards específicos, que permitem análises comparativas segmentadas por perfil de rota, tipo de carga e condições de tráfego. “Essa ferramenta é indispensável. Ela transforma dados brutos em insights acionáveis, suportando decisões que são ao mesmo tempo técnicas, financeiras e ambientais, com precisão que afasta qualquer superficialidade“, ressalta o presidente.
Um pilar crucial dessa implementação, frequentemente subestimado em análises puramente tecnológicas, é o fator humano. A West Cargo estruturou um programa de treinamento técnico e comportamental para os motoristas, assegurando a compreensão profunda do funcionamento, dos limites operacionais e das melhores práticas de condução eficiente para cada nova tecnologia. A ergonomia dos cabines foi avaliada para garantir conforto e segurança, visando a redução da fadiga em operações de longa duração. “A percepção e aceitação dos colaboradores são críticas para o sucesso. Investimos em comunicação clara, acompanhamento inicial próximo e canais de feedback contínuo. O engajamento da equipe não apenas reduz riscos operacionais, mas potencializa os ganhos de eficiência que as tecnologias podem oferecer“, comenta Rosolen.
Entretanto, o principal gargalo externo para a escalabilidade identificado nos testes é a infraestrutura limitada de abastecimento de GNV e, especialmente, de recarga de alta potência para caminhões elétricos fora dos grandes eixos logísticos. Esta restrição impacta diretamente a autonomia operacional e aumenta a complexidade do planejamento de viagens. Para superar este obstáculo, Rosolen aponta a necessidade de modelos colaborativos. “A expansão depende de parcerias público-privadas, de financiamentos verdes e de investimentos conjuntos entre frotistas, montadoras e operadores de energia. A integração estratégica desta infraestrutura aos corredores logísticos é fundamental para reduzir custos, ampliar a capilaridade e viabilizar a adoção em larga escala no país“, analisa.
Os resultados ambientais dessa transição começam a ser quantificados e representam uma futura vantagem competitiva frente a clientes estratégicos cada vez mais pressionados por metas ESG em suas cadeias de suprimentos. A West Cargo adota metodologias padronizadas para mensurar a redução da pegada de carbono, utilizando indicadores como gramas de CO₂e por quilômetro-tonelada transportada. “A conversão em vantagem competitiva exige credibilidade. Portanto, nossa comunicação será sempre lastreada em dados técnicos auditáveis, com transparência total sobre a metodologia aplicada. Rejeitamos qualquer prática de greenwashing; nosso compromisso é com resultados mensuráveis e com a contribuição real para um sistema logístico de menor impacto“, enfatiza Rosolen.
Com base nos aprendizados técnicos e operacionais consolidados em 2025, a West Cargo projeta para 2026 um novo ciclo de investimentos em veículos sustentáveis. A empresa se posiciona como uma implementadora pragmática de uma transição energética complexa, onde a inovação deve andar de mãos dadas com a segurança operacional, a viabilidade econômica de longo prazo e a geração de valor ambiental tangível para toda a sua cadeia de clientes.
