A indústria automotiva está em constante evolução, e os veículos comerciais não ficam de fora dessa transformação. A mais recente disrupção tecnológica é o conceito de veículos definidos por software (SDV, na sigla em inglês), que promete transformar a arquitetura tradicional dos caminhões e ônibus.
Enquanto os veículos atuais contam com hardware e software desenvolvidos simultaneamente e de forma dedicada, os veículos definidos por software operam sob uma lógica inversa. “Em um caminhão convencional, se você precisa de um painel de instrumentos com informações específicas, é preciso desenvolver uma eletrônica dedicada para isso. Já no SDV, você parte de uma plataforma eletrônica padrão e o software é atualizado remotamente ao longo da vida útil do veículo”, explica Cláudio Castro, presidente do Conselho de Administração da SAE Brasil e diretor executivo de P&D da Schaeffler.

Isso significa que, em vez de depender de peças físicas substituíveis, as montadoras e fornecedores podem enviar atualizações digitais para melhorar funcionalidades, corrigir falhas ou até mesmo habilitar novos serviços por assinatura.
A adoção do 5G é um facilitador crítico para os SDVs, reduzindo a latência (tempo de resposta) e permitindo comunicações em tempo real com infraestruturas urbanas, frotas e centros de gerenciamento. “Um caminhão conectado pode otimizar rotas com base em dados de tráfego, alertar sobre condições mecânicas preditivas e até interagir com sistemas de cidades inteligentes“, destaca Castro.
A transição para SDVs exige uma reestruturação nos processos de desenvolvimento que, da parte dos fornecedores, inclui a migração de soluções dedicadas para plataformas modulares. Do lado das montadoras, o que muda é que elas devem repensar os ciclos de vida de produtos e possíveis receitas recorrentes, como assinaturas de software. “Na Schaeffler, por exemplo, incorporamos expertise em eletrônica e software após a fusão com a Vitesco. Agora, conseguimos oferecer desde sensores inteligentes até sistemas de propulsão adaptáveis“, comenta o diretor da empresa.
Padrões de comunicação
Um fator de alerta se refere à segurança cibernética, pois portas abertas para atualizações remotas exigem firewalls robustos e os padrões de comunicação universais ainda dependem de regulamentação.
Por enquanto, o Brasil trabalha com a norma Proconve P8, equivalente ao Euro 6 para veículos diesel. Todavia, na Europa já se fala em Euro 7 como próxima geração de tecnologia para o controle de emissões e maior eficiência. Mas, o futuro pós-Euro 7 ainda é difícil de prever. “Depois do Euro 7, eu acredito que a gente vai começar a fazer algum tipo de limitação, não mais no que sai do veículo, mas sim o do que entra nele. Acredito que este futuro será mais voltado para uma regulamentação dos combustíveis do que propriamente das emissões veiculares”, prevê.
