Transportadores de três estados demonstram preocupação com a economia

Empresários do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e de São Paulo compartilharam suas impressões sobre economia e negócios

Por Gustavo Queiroz

- junho 23, 2025

Imagem meramente ilustrativa gerada por IA | Frota&Cia

A confiança dos transportadores rodoviários de cargas no Rio Grande do Sul caiu para o menor patamar já registrado em 2025, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT). O índice, que mede a percepção dos empresários sobre a economia e os negócios, recuou para 41,4%, influenciado por juros altos, infraestrutura deficiente e os impactos das enchentes recentes. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, o cenário atual também é visto com desconfiança (41,8%), embora as expectativas para os próximos meses sejam um pouco mais otimistas (51,9%). Em São Paulo, a situação não é diferente: o índice geral de confiança atingiu o menor nível em dois anos (45,9%), pressionado pela retração do consumo e incertezas econômicas.

Os três estados compartilham desafios comuns, como a alta carga tributária, a insegurança jurídica e a falta de políticas públicas para o setor. No entanto, cada região enfrenta problemas específicos: o RS sofre com os efeitos das enchentes e safras frustradas, o RS lida com a falta de segurança pública e déficit de mão de obra, e SP sente os reflexos da desaceleração industrial e da concorrência acirrada. Apesar das dificuldades, os transportadores buscam adaptação, investindo em eficiência operacional e tecnologia, enquanto pressionam por mudanças nas esferas estadual e federal.

Rio Grande do Sul

A confiança dos transportadores rodoviários de cargas do Rio Grande do Sul permanece em território negativo e registrou queda acentuada no segundo trimestre de 2025, atingindo o menor patamar desde o início da série histórica do Índice CNT de Confiança do Transportador. O indicador, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), aponta que apenas 41,4% dos empresários do setor se declararam confiantes – uma redução de 6,5 pontos percentuais em relação ao último trimestre de 2024.

O índice que mede as condições atuais da economia e dos negócios recuou para 32,3%, queda de 6,9 pontos percentuais em três meses. Entre os principais motivos para o pessimismo estão:

  • Críticas à política econômica: Empresários citaram juros altos, carga tributária excessiva e falta de políticas públicas para o setor.
  • Queda na demanda: A desaceleração de alguns setores reduziu o movimento de cargas e pressionou os valores do frete.
  • Infraestrutura deficiente e insegurança jurídica: desestimulam investimentos de longo prazo.
  • Impacto das enchentes: Os estragos nas rodovias e nas operações logísticas ainda afetam a atividade.
  • Safras frustradas: Quatro anos seguidos de estiagem prejudicaram a produção agrícola, setor-chave para o transporte de cargas no estado.

A perspectiva para os próximos seis meses também não é animadora, considerando que o índice de expectativas ficou em 45,9%, o mais baixo já registrado. Apesar do cenário adverso, os empresários demonstraram resiliência, investindo em gestão eficiente e mitigação de riscos.

A CNT alerta que a falta de confiança pode frear investimentos e a expansão das empresas. O indicador serve como termômetro para orientar ações de defesa junto aos governos federal e estadual.

A pesquisa ouviu empresários entre 20 de maio e 6 de junho, com apoio da Fetransul.

Rio de Janeiro

Os transportadores rodoviários de cargas do Rio de Janeiro estão menos pessimistas em relação aos próximos seis meses, mas avaliam que as condições atuais da economia e de seus negócios pioraram. É o que aponta o Índice CNT de Confiança do Transportador, sondagem inédita realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com a Federação do Transporte de Cargas do Estado do Rio de Janeiro (Fetranscarga).

A pesquisa, aplicada entre 20 de maio e 6 de junho de 2025 com 158 empresários, mostrou que o índice de condições atuais ficou em 41,8%, refletindo dificuldades como:

  • Ambiente de negócios desfavorável (juros altos, inflação e aumento de impostos);
  • Insegurança jurídica e falta de previsibilidade nas políticas econômicas;
  • Falta de apoio ao setor produtivo, com críticas a políticas assistencialistas em vez de geração de empregos;
  • Margens de lucro reduzidas, inadimplência e endividamento das empresas;
  • Falta de segurança pública em rodovias e vias urbanas;
  • Déficit de mão de obra qualificada.

Apesar do cenário adverso, o índice de expectativas para os próximos seis meses chegou a 51,9%, puxado por investimentos em tecnologia, treinamento de equipes e busca por eficiência operacional. O índice geral de confiança (que combina avaliações do presente e do futuro) ficou em 48,6%, ainda abaixo do patamar de 50%, que separa otimismo de desconfiança.

A CNT destaca que a confiança dos empresários é crucial para impulsionar investimentos e que o indicador serve como termômetro para negociar com os Poderes Executivo e Legislativo. “A receptividade do setor depende de medidas que reduzam incertezas e estimulem a atividade econômica“, afirma a entidade.

Os participantes da pesquisa terão acesso a um painel exclusivo com dados comparativos sobre o desempenho do setor no RJ e no Brasil.  Essa foi a primeira edição no RJ, realizada em parceria com a Fetranscarga, e há planos de continuidade trimestral;

São Paulo

A confiança dos transportadores rodoviários de cargas no estado de São Paulo atingiu o menor patamar desde o início da medição do Índice CNT de Confiança do Transportador, em 2023. No segundo trimestre de 2025, o indicador ficou em 45,9%, registrando queda de mais de 5 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.

O levantamento, realizado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), aponta que o pessimismo crescente está associado principalmente às condições atuais da economia, cujo índice despencou para 37,2% – uma redução de 9,1 pontos percentuais em apenas seis meses. As expectativas para os próximos meses também caíram, ficando em 50,2%, abaixo do registrado no último trimestre de 2024 (53,5%).

Entre os fatores que mais impactam a confiança dos empresários, destacam-se:

  • Juros elevados, que limitam investimentos e financiamentos;
  • Incerteza sobre o rumo da economia e falta de perspectivas para reformas estruturais;
  • Retração no consumo e na atividade industrial;
  • Pressão fiscal, com risco de aumento de impostos e burocracia;
  • Margens apertadas e concorrência acirrada.

Além dos desafios internos, os transportadores citaram preocupação com os efeitos da política tarifária dos EUA e a desaceleração da China, que podem impactar o fluxo de cargas no Brasil.

Apesar do cenário adverso, as empresas têm buscado otimizar processos internos, investindo em tecnologia, treinamento e diversificação de clientes. Entretanto, a maioria dos entrevistados demonstrou ceticismo em relação às políticas econômicas de curto prazo, vinculando uma possível melhora a mudanças na gestão fiscal do governo.

A CNT ressalta que a confiança do setor é um termômetro crucial para investimentos e expansão das operações, influenciando diretamente a cadeia logística nacional. “Esse indicador serve como alerta para a necessidade de políticas públicas que estimulem o transporte de cargas, setor vital para o PIB“, afirma a entidade.

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *