Sany Brasil confirma fábrica na região de Campinas ainda em 2026

Montagem de caminhões inicia já no segundo semestre deste ano em moderna área provisória até a definição de local próprio

Por Gustavo Queiroz

- abril 9, 2026

Sany da Gelog

A Sany Brasil deu um passo decisivo para consolidar sua operação de caminhões no país ao confirmar a instalação de uma unidade de montagem na região de Campinas, no interior paulista. Em entrevista à Frota&Cia, o diretor de Vendas e Marketing da Sany Brasil, Dieter Lommer, revelou que o local já está definido, com contrato encaminhado e operações previstas para começar ainda neste segundo semestre.

De acordo com o executivo, a fábrica ocupará um galpão já existente, o que reduz significativamente o investimento inicial e acelera o cronograma. “Já é um local pronto, bem adequado para isso. A intenção é que, no segundo semestre, a gente tenha já a montagem de caminhões”, afirmou Lommer.

A decisão de utilizar uma estrutura pronta, segundo ele, não descarta planos futuros mais ambiciosos. “A princípio, a gente continua com um planejamento de construir uma fábrica em Jacareí (SP), mas isso para daqui a cinco anos. No momento que formos fazer uma zero, será no padrão Sany, uma planta 4.0, bem tecnológica”, conta o executivo.

Dieter Lommer, diretor de Vendas e Marketing da Sany Brasil
Dieter Lommer, diretor de Vendas e Marketing da Sany Brasil

A escolha da região de Campinas foi estratégica por sua vocação logística, concentração de outros fabricantes, disponibilidade de mão de obra qualificada e proximidade com faculdades de tecnologia e com a capital paulista. “Estes fatores foram determinantes”, confirma.

A operação inicial será focada em montagem de caminhões rodoviários e linha amarela (máquinas de construção), com predomínio do sistema CKD (Completely Knocked Down), no qual os kits são trazidos da China e montados localmente. Lommer, no entanto, deixa claro que pretende ir além da simples montagem. “Nossa intenção é buscar o maior índice de nacionalização possível. Por exemplo, vou trazer um chassi 4×2 para caminhão de lixo. Em vez de também importar o 6×2, vou desenvolver um eixo drop aqui no Brasil. Aumentar o portfólio base e ampliá-lo aqui.” Essa estratégia, segundo ele, permitirá acesso a linhas de crédito como o Finame, das quais importados não podem usufruir, além de conferir maior flexibilidade operacional e melhoria no custeio.

O início da produção nacional deverá elevar o quadro de funcionários da Sany Brasil dos atuais pouco mais de 400 para mais de 600 trabalhadores. “É um excelente sinal para o mercado, mostrando que a gente está aqui não só para importar, mas para envolver toda a parte logística, de pessoas e investimentos”.

China

A Sany tem uma qualidade diferenciada. É uma empresa que investe mais de 1 bilhão de dólares em P&D, tem mais de 16 mil engenheiros no corpo de desenvolvimento de produto. Foram forjados na China com uma competição quase desigual, sendo uma das únicas empresas 100% privadas, que depende do próprio rendimento, sem subsídios. Isso fortaleceu a qualidade”, analisa Lommer.

O executivo ainda antecipa parte da visão de futuro para o mercado de caminhões elétricos. Ele observa que, na China, operações de até 300 km já não sobrevivem com diesel – “o transportador que não eletrificou quebrou”. Ele cita os avanços da Sany, que já vendeu mais de 60 mil caminhões elétricos pesados, ante números modestos de concorrentes europeus. “O Opex do elétrico é 70% mais barato. E o argumento de que as tradicionais estão postergando a introdução do elétrico é desculpa de quem não está pronto. A necessidade faz a mudança”, dispara. Para viabilizar essa transição no Brasil, o executivo defende medidas como desconto do peso da bateria no PBT para circulação urbana, créditos de energia elétrica transferíveis entre regiões e incentivos para instalação de eletropostos, por exemplo.

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