Robôs que vão até o produto em cubo de alta densidade

Para melhorar a eficiência das operações logísticas em ambientes apertados, Dematic aposta em automatização para a movimentação de caixas com até 35kg

Por Gustavo Queiroz

- abril 20, 2026

Tanaka apresenta o cubo de alta densidade

Diante da crescente pressão por entregas cada vez mais rápidas e da escassez de mão de obra no setor logístico, a automação deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade estratégica para empresas de todos os portes. Nesse cenário, a Dematic, empresa do Grupo Kion, tem apresentado ao mercado brasileiro tecnologias que prometem avanços na gestão de estoques e a separação de pedidos.

Em entrevista, o gerente de Vendas da Dematic, Fábio Tanaka, detalhou uma das tecnologias mais inovadoras do portfólio da companhia, o sistema AutoStore, que adota o conceito de armazenamento em cubo, em que o produto vai até o operador.

Ao contrário dos modelos tradicionais de armazém, nos quais os operadores percorrem longos corredores em busca de itens, a lógica do AutoStore é inversa. “Quando o operador não tem a condição de se movimentar de forma eficiente, precisamos fazer com que o produto vá até ele”, explica Tanaka. Desenvolvido pela Dematic, o sistema robótico, compacto e escalável de armazenamento e separação de peças se adapta dinamicamente às demandas dos clientes.

Dematic AutoStore
Dematic AutoStore

Na prática, o AutoStore opera como um grande cubo de alta densidade. As caixas com os produtos são empilhadas verticalmente em até 16 níveis, podendo atingir 8 metros de altura e, na superfície dessa estrutura, uma frota de robôs se movimenta de forma autônoma. Quando um pedido é registrado, um robô localiza a caixa específica, a retira da pilha e a transporta até uma estação onde um operador realiza a coleta do item necessário. Em seguida, a caixa retorna ao armazém, e a embalagem do pedido segue para expedição ou consolidação. “É um sistema bastante aderente para indústrias que trabalham com itens pequenos e enfrentam dificuldades com espaço físico e demora na separação”, resumiu Tanaka.

A tecnologia empregada no deslocamento das caixas gera curiosidade. Tanaka esclareceu que os robôs não se movem para dentro da estrutura, já que eles percorrem apenas a superfície do cubo e utilizam uma garra com fita magnética para alcançar os contentores. “Essa garra afunda. As caixas são especiais, com orifícios para que a garra adentre e trave. Por isso, há uma limitação de altura de 8 metros”, justifica. O sistema também respeita um limite de peso: cada caixa suporta até 35 quilos, sendo 30 quilos de itens armazenáveis e 5 da caixa.

De acordo com o executivo, a quantidade de robôs, caixas, portas de acesso e outros componentes do AutoStore não é padronizada. “Vai depender muito do seu volume, da quantidade de pedidos, de quantos turnos você trabalha e quantas pessoas você tem na operação. É com base nessas informações que a Dematic e o Grupo Kion ajudam a dimensionar a solução correta”, afirmou.

A sustentabilidade também foi um ponto destacado por Tanaka, especialmente em relação às baterias que equipam os robôs. Ele explicou que, atualmente, a tecnologia de íons de lítio está se tornando mais comum, embora ainda represente um custo adicional em comparação com as baterias de chumbo-ácido. “O lítio é muito mais limpo. Os robôs são recarregados por carga de oportunidade, em estações específicas posicionadas na superfície da estrutura, o que garante a continuidade da operação sem longas pausas”, esclarece.

Portal com IA

Portal com IA da Dematic
Portal com IA da Dematic

Além da solução de armazenamento, a Dematic apresentou uma novidade que deve chamar a atenção de grandes varejistas e supermercadistas. Se trata de um portal equipado com inteligência artificial para identificação de produtos. “O objetivo é fazer o lançamento do portal com IA. Se pegarmos um segmento supermercadista, onde o cliente tem aquele processo de colar a etiqueta, a partir de agora você não precisa mais ter esse processo”, exemplifica Tanaka.

O funcionamento é simples e promete eliminar etapas manuais que geram custos operacionais significativos. Ao passar pelo portal, o sistema identifica automaticamente o código do produto. Em cenários mais complexos, como caixas mistas que contêm diferentes itens, a IA é treinada para ler apenas o código específico do produto em questão, descartando as demais informações. “Depois que é feita a leitura, o nosso sistema devolve essa informação para o WMS e para o sistema do cliente”, detalhou Tanaka. O impacto financeiro dessa automação é considerável e o executivo ilustra: “Imagine 6 mil volumes por hora vezes 10 horas de operação, por exemplo. Já são 60 mil etiquetas impressas”, finaliza.

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