Redução da pegada de carbono na indústria de lubrificantes vira alvo prioritário

A redução da pegada de carbono na indústria de lubrificantes virou um objetivo principal, visando as metas de descarbonização

Por Gustavo Queiroz

- junho 16, 2025

Redução da pegada de carbono na indústria de lubrificantes

A indústria automotiva vive um momento de transformação acelerada, impulsionada por metas globais de redução de emissões e eficiência energética. No esforço de atender às montadoras de veículos, especialmente de caminhões e ônibus, a redução da pegada de carbono na indústria de lubrificantes virou um objetivo principal, tendo como alvo as metas de descarbonização do transporte.

Renata Vitiello, coordenadora de Marketing B2B da Mobil
Renata Vittiello, coordenadora de Marketing B2B da Mobil.

“As fabricantes de veículos leves e pesados estão intensificando cada vez mais a preocupação com a pegada de carbono, desde a produção até o lubrificante que será usado no motor. Isso reverbera em toda a cadeia produtiva do produto, da formulação às embalagens”, confirma Renata Vittiello, coordenadora de Marketing B2B da Mobil.

A executiva destaca iniciativas como o cálculo da pegada de carbono por produto e parcerias logísticas para reduzir impactos ambientais. “Temos trabalhado com frotistas e indústrias em projetos que unem eficiência e sustentabilidade, desde a troca inteligente de óleo até o uso de embalagens com 60% de material reciclado (PCR)”.

Produto em evolução

Bruno Dias, consultor Técnico Automotivo da mobil b

Bruno Dias, consultor Técnico Automotivo da Mobil

Em apoio ao comentário, seu parceiro de indústria, o consultor Técnico Automotivo da Mobil, Bruno Dias, explica como os lubrificantes evoluíram para atender a motores mais eficientes e combustíveis alternativos. “Com a chegada do Euro 6/Proconve P8 no Brasil, surgiu a necessidade de lubrificantes low SAPS (baixo teor de cinzas, fósforo e enxofre), que protegem os sistemas de pós-tratamento, reduzem emissões e contribuem para um melhor TCO (ver quadro)”.

Tal esforço, relembra o executivo, envolveu os desafios trazidos pelo biodiesel, que atualmente possui 14% de presença no diesel comercializado no Brasil. “O biodiesel aumenta a formação de borra e oxidação, exigindo formulações mais robustas. Testes com B100 são promissores, mas exigem cuidados extras, como evitar armazenagem prolongada e paradas prolongadas dos veículos”.

Outra tendência irreversível é a migração para lubrificantes menos viscosos (como 5W-30 em pesados), que reduzem o atrito e melhoram a eficiência energética. “O desafio é garantir proteção mesmo com filmes mais finos, o que exige avanços em aditivos e óleos básicos sintéticos” conta Dias.

O desenvolvimento de fontes alternativas de energia, como a eletromobilidade e o hidrogênio para uso veicular, igualmente move a indústria de lubrificantes nos dias atuais. “Ainda são tecnologias em estágio inicial no Brasil”, confessa o consultor. “Porém, embora não existam padrões da indústria para essas aplicações, seguimos investindo em pesquisa e desenvolvimento em parceria com montadoras, para atender a esses mercados futuros”, completa o especialista.

Mobil DelvacPor fim, Bruno Dias ressalta que a durabilidade dos lubrificantes impacta diretamente o cálculo de Custo Total de Propriedade (da sigla em inglês “TCO”) das frotas, explica. “Um lubrificante CK4, por exemplo, é retrocompatível e estende intervalos de troca, gerando economia de até 2% em combustível em comparação com produtos convencionais”. Renata Vittiello acrescenta que “além da formulação, iniciativas como rerrefino de óleos usados e logística sustentável contribuem para a economia circular, reduzindo a pegada de carbono em até 50% em alguns casos.”

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