A indústria automotiva vive um momento de transformação acelerada, impulsionada por metas globais de redução de emissões e eficiência energética. No esforço de atender às montadoras de veículos, especialmente de caminhões e ônibus, a redução da pegada de carbono na indústria de lubrificantes virou um objetivo principal, tendo como alvo as metas de descarbonização do transporte.

“As fabricantes de veículos leves e pesados estão intensificando cada vez mais a preocupação com a pegada de carbono, desde a produção até o lubrificante que será usado no motor. Isso reverbera em toda a cadeia produtiva do produto, da formulação às embalagens”, confirma Renata Vittiello, coordenadora de Marketing B2B da Mobil.
A executiva destaca iniciativas como o cálculo da pegada de carbono por produto e parcerias logísticas para reduzir impactos ambientais. “Temos trabalhado com frotistas e indústrias em projetos que unem eficiência e sustentabilidade, desde a troca inteligente de óleo até o uso de embalagens com 60% de material reciclado (PCR)”.
Produto em evolução

Bruno Dias, consultor Técnico Automotivo da Mobil
Em apoio ao comentário, seu parceiro de indústria, o consultor Técnico Automotivo da Mobil, Bruno Dias, explica como os lubrificantes evoluíram para atender a motores mais eficientes e combustíveis alternativos. “Com a chegada do Euro 6/Proconve P8 no Brasil, surgiu a necessidade de lubrificantes low SAPS (baixo teor de cinzas, fósforo e enxofre), que protegem os sistemas de pós-tratamento, reduzem emissões e contribuem para um melhor TCO (ver quadro)”.
Tal esforço, relembra o executivo, envolveu os desafios trazidos pelo biodiesel, que atualmente possui 14% de presença no diesel comercializado no Brasil. “O biodiesel aumenta a formação de borra e oxidação, exigindo formulações mais robustas. Testes com B100 são promissores, mas exigem cuidados extras, como evitar armazenagem prolongada e paradas prolongadas dos veículos”.
Outra tendência irreversível é a migração para lubrificantes menos viscosos (como 5W-30 em pesados), que reduzem o atrito e melhoram a eficiência energética. “O desafio é garantir proteção mesmo com filmes mais finos, o que exige avanços em aditivos e óleos básicos sintéticos” conta Dias.
O desenvolvimento de fontes alternativas de energia, como a eletromobilidade e o hidrogênio para uso veicular, igualmente move a indústria de lubrificantes nos dias atuais. “Ainda são tecnologias em estágio inicial no Brasil”, confessa o consultor. “Porém, embora não existam padrões da indústria para essas aplicações, seguimos investindo em pesquisa e desenvolvimento em parceria com montadoras, para atender a esses mercados futuros”, completa o especialista.

