A Petrobras divulgou o seu Plano de Negócios para o período de 2026 a 2030, no qual prevê aplicar um total de US$ 109 bilhões em investimentos (CAPEX). O montante, que representa aproximadamente 5% de todos os investimentos previstos para o país no quinquênio, tem como objetivo central assegurar a segurança energética nacional e consolidar a posição da estatal como líder na chamada transição energética justa. Em comparação com o plano anterior (2025-2029), que previa US$ 111 bilhões, houve uma redução de 1,8%, movimento que a companhia atribui a um cenário de preços do petróleo mais desafiador e à otimização de custos.
A estratégia da Petrobras é baseada em um crescimento que ela denomina “adicional”, onde novas fontes de energia renovável são somadas à manutenção da produção de óleo e gás. A empresa defende que os recursos provenientes do petróleo, considerado ainda necessário para a economia global, serão fundamentais para financiar a transição para uma matriz de baixo carbono. Do total de investimentos, US$ 13 bilhões (equivalentes a 12% do CAPEX total) serão direcionados especificamente para iniciativas de transição energética. Este valor engloba projetos em energias de baixo carbono, bioprodutos, ações para descarbonização das próprias operações e Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I).
Dentro do pilar de transição, os biocombustíveis receberão atenção prioritária neste ciclo. A companhia focará em etanol, biodiesel, biometano, diesel com conteúdo renovável (Diesel R), Querosene de Aviação Sustentável (SAF) e biobunker. A intenção é aproveitar sinergias com as operações atuais e avançar preferencialmente por meio de parcerias estratégicas, muitas delas com participação minoritária ou controle compartilhado com players consolidados do setor. A Petrobras também continuará buscando parcerias para projetos de energia solar fotovoltaica e eólica onshore, com foco na ampliação de sua capacidade de autogeração renovável.
Apesar do forte componente de diversificação, o núcleo do plano permanece ancorado na exploração e produção de óleo e gás, que receberá a maior fatia dos recursos. A produção média de petróleo da companhia deve crescer de cerca de 2,4 milhões de barris por dia (bpd) em 2025 para 2,7 milhões de bpd em 2028, estabilizando-se em 2,6 milhões de bpd no final do período. A oferta de gás natural no mercado doméstico, considerando a produção da Petrobras e de seus parceiros, deve saltar de 49 milhões de metros cúbicos por dia em 2024 para 67 milhões em 2030.
Para alcançar essas metas, a empresa contará com a entrada de novos sistemas de produção no pré-sal, como os FPSOs Búzios 8, Búzios 9, Búzios 10, Búzios 11, Atapu 2 e Sépia 2, além de projetos complementares que visam maximizar a recuperação das jazidas. No segmento de Refino, Transporte e Comercialização, os investimentos serão concentrados na expansão da capacidade, melhoria da qualidade dos derivados e aumento da oferta de produtos de baixo carbono, com projetos de biorrefino previstos para as refinarias REPAR, REPLAN e RNEST.
A gestão financeira será marcada por uma disciplina de capital rigorosa, com um limite de endividamento bruto mantido em US$ 75 bilhões e a meta de convergir a dívida para US$ 65 bilhões até o final do plano. A empresa instituiu um mecanismo adicional de governança, com avaliações trimestrais, para decidir sobre o avanço de aproximadamente US$ 10 bilhões em projetos cuja decisão final de investimento está prevista para 2026 e 2027, garantindo flexibilidade para responder às condições voláteis do mercado. A Petrobras reafirmou o compromisso com a manutenção de sua política de dividendos.
A companhia destacou o impacto socioeconômico do plano, estimando que os investimentos tenham potencial para gerar e sustentar 311 mil postos de trabalho diretos e indiretos. A previsão é que a arrecadação de tributos para municípios, estados e União supere R$ 1,4 trilhão no quinquênio. A Petrobras fundamenta sua estratégia na necessidade de combater a pobreza energética e reduzir desigualdades sociais, fornecendo energia confiável e competitiva para alavancar o crescimento econômico.
Do ponto de vista ambiental, a estatal reforçou sua ambição de alcançar a neutralidade de carbono em suas operações (escopos 1 e 2) até 2050. A empresa argumenta que a matriz energética brasileira já é significativamente mais renovável que a média global e que sua produção de óleo e gás está entre as de menor intensidade de emissões de gases de efeito estufa do mundo. A visão apresentada é a de ser a “melhor empresa diversificada e integrada de energia“, conciliando o foco em óleo e gás com resiliência econômica e ambiental e a diversificação em negócios de baixo carbono.
