Operadores Logísticos precisaram mudar para lidar com a Geração Z

Os chamados nativos digitais vêm ganhando cada vez mais espaço no setor

Por Victor Fagarassi

- agosto 11, 2023

Composta pelos “nativos digitais“, a Geração Z, nascida mais ou menos entre 1995 e 2010, vem trazendo mudanças no setor da logística e transportes, assim como no mercado de trabalho como um todo.

Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (ABOL) sobre o tema, as mudanças são vistas desde o momento da contratação. “Antigamente, as empresas escolhiam os candidatos, há uns 15 anos, só que cada vez mais é o candidato que escolhe a empresa. Tem muito do ‘pra onde eu vou’ e ‘a próxima empresa que eu desejo trabalhar’.” Comenta Caio Infante, especialista em tecnologia com foco em recrutamento.

Mesmo depois da contratação, ainda existe um cuidado pra conseguir reter e motivar esse trabalhador. A busca constante pelo novo, alto nível de individualismo e a procura por um ambiente de trabalho prazeroso são algumas das características dessa geração. Tatiane Rabuske, RH da Ghelere Transportes, destaca a relação humanizada. Nós buscamos uma relação mais humanizada, que é o que a geração Z também almeja. Eles precisam saber o porquê de executar aquilo, senão desmotiva”.

O levantamento feito pela ABOL revela que 38,5% dos entrevistados têm entre 11% e 20% do seu time de colaboradores formado por indivíduos da Geração Z. “O setor de logística se tornou porta de entrada no mercado de trabalho para muitos jovens”, mencionou Marcella Cunha, diretora executiva da ABOL.

Entre as principais dificuldades está o processo de reter o funcionário, citado em 84,6% das respostas. A necessidade de deixar a jornada de trabalho mais atrativa, motivar esse trabalhador com benefícios diferentes dos tradicionais e planejar um rápido crescimento profissional também foram citadas.

Como se preparar para lidar com a Geração Z?

Tatiane Rabuske corrobora com a ideia de que é mais difícil reter, mas cita também a necessidade de preparar os gestores mais velhos para isso. “Essa adaptação à nova geração tem que ser treinada. Nós fazemos um acompanhamento, feedback, tudo isso pra ter uma boa relação por aqui.”

Ana Tomé, Gerente de Gente & Gestão da Bravo Logística, classifica como desafiador lidar com esse perfil. Ela comenta que a Geração Z, pela inquietude que a caracteriza, espera assumir responsabilidades de entregas que dê visibilidade, e com isso, reconhecimento. E o tempo que se faz necessário para a conquista da maturidade profissional, não é levado em consideração.

“Esta geração busca iniciar suas atividades nas organizações em cargos que gerem maior destaque. Nem sempre cargos iniciais têm atrativos para eles. E assim, temos uma dicotomia: de um lado jovens cheios de energia, boas iniciativas e conhecimentos teóricos, e, de outro vagas que exigem entregas que decorrem também da experiência profissional vivida.” Completa Ana.

O caminho do meio

Apesar da porcentagem de trabalhadores desta geração no setor estar crescendo, as empresas ainda buscam esse “caminho do meio”. A ideia é ter dois perfis trabalhando juntos. Ou seja, aliar a energia renovadora do jovem com a experiência daqueles que aprenderam muitas coisas que não estão escritas nos livros.

Tatiane Rabuske, da Ghelere Transportes, completa dizendo que é importante saber o que o perfil daquela vaga pede. “A gente não tem preferência, fazemos uma avaliação individual de cada vaga. Preciso saber o perfil do cargo pra analisar o caminho que seguiremos”.

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