A Inteligência Artificial (IA) está transformando o transporte coletivo, prometendo saltos de eficiência, segurança e qualidade nos serviços. Durante o painel “Inteligência Artificial e Gestão por Dados“, realizado no 38º Seminário Nacional da NTU, especialistas discutiram aplicações práticas da tecnologia, desde reconhecimento facial e manutenção preditiva até otimização de rotas e redução de acidentes.
O evento, promovido pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), reuniu em Brasília lideranças do setor para debater como a IA pode revolucionar a mobilidade urbana. “A IA e a gestão de dados são caminhos para um transporte coletivo melhor“, afirmou Murilo Soares A. Lara, mediador do painel e membro do Conselho Diretor da NTU.
Celso Brandão de Oliveira Filho, fundador da Avez, comparou o impacto da IA ao da eletricidade, com potencial de injetar US$ 4,4 trilhões na economia global. Dados da Microsoft apontam ganhos de produtividade de até 37% em tarefas operacionais e melhoria de 40% na qualidade de serviços. “Ônibus autônomos, baseados em visão computacional, já são realidade em testes e devem redefinir o setor no longo prazo“, destacou.
Rebeca Bezerra Leite da Fonte, cofundadora da Mobs2, apresentou resultados concretos de sistemas de IA que monitoram motoristas: redução de 75% em acidentes graves, 60% menos falhas por quilômetro e economia de 25% em combustível. “A IA identifica padrões individuais e cria treinamentos personalizados, adaptando-se às necessidades em tempo real“, explicou.
Valmir Colodrão, conselheiro da Primova, destacou o uso de dados para antecipar falhas mecânicas e otimizar custos. “Criamos uma solução única que compara desempenho de peças e fornecedores. Identificamos, por exemplo, um fornecedor de lonas de freio com rendimento 50% inferior ao concorrente“, revelou.
Gustavo Wagner Nunes Balieiro, diretor da Bus2, alertou para a necessidade de definir objetivos claros antes de implementar IA. “Dados básicos, como rotas e horários, devem estar consolidados para evitar soluções desconexas“, afirmou. Celso Camilo, cofundador do AI Center of Excellence, reforçou que a IA veio para ficar. “A próxima onda é a internalização da tecnologia no corpo humano. Não é ficção, é demanda por eficiência“, projetou.
