Nova bateria LFP da BorgWarner atinge 6.000 ciclos de recarga rápida

Com células Blade e produção nacional, nova bateria LFP da BorgWarner promete 15 anos de vida e design modular para a mobilidade urbana

Por Gustavo Queiroz

- agosto 21, 2026

Marcelo Rezende, diretor Geral de Sistemas de Baterias da BorgWarner no Brasil

A BorgWarner, fornecedora global de sistemas de propulsão para veículos, está expandindo seu portfólio de baterias no Brasil com a introdução da tecnologia de fosfato de ferro-lítio (LFP). O desenvolvimento, que utiliza as células Blade da FinDreams Battery (subsidiária da BYD), representa um avanço significativo na estratégia da empresa para o mercado de veículos comerciais eletrificados, com produção prevista para iniciar em 2026.

Atualmente, a empresa produz em sua unidade de Piracicaba (SP) o sistema de baterias NMC (níquel, manganês e cobalto), que equipa os ônibus elétricos Mercedes-Benz eO500U em operação no Brasil. Cada bateria NMC possui capacidade de 98 kWh, e um ônibus com quatro unidades pode alcançar até 280 quilômetros de autonomia. A nova linha LFP, no entanto, foi desenvolvida para complementar esse portfólio, atendendo a aplicações onde o custo-benefício, a durabilidade e a segurança são prioridades.

A gente começou esse desenvolvimento das baterias LFP no ano passado, só que agora ela está mais avançada e pronta. É isso que estamos trazendo para apresentar para os clientes”, afirma Marcelo Ramos Rezende, diretor Geral de Sistemas de Baterias da BorgWarner no Brasil.

Baterlia Blade LFP da BorgWarner
Baterlia Blade LFP da BorgWarner | Foto: Frota&Cia

A principal inovação do sistema LFP da BorgWarner é a utilização de células Blade, uma tecnologia que dispensa a montagem em módulos intermediários, permitindo que as células sejam instaladas diretamente no pack. “Trouxemos essa tecnologia para o pack, que ficou mais compacto e mais barato, justamente porque a célula pode ser montada diretamente no pack”, explica Rezende. Essa arquitetura, conhecida como cell-to-pack, reduz a complexidade e o peso do sistema, aproximando a densidade energética da LFP dos níveis alcançados pela NMC.

A parceria com a FinDreams Battery garante à BorgWarner a exclusividade para comercializar baterias com células Blade para veículos comerciais nas Américas, Europa e partes da Ásia-Pacífico, sendo a única fabricante não OEM com esse direito.

Vantagens

Os packs de baterias de LFP e NMC da BorgWarner foram apresentados durante a Lat.Bus 2026
Os packs de baterias de LFP e NMC da BorgWarner foram apresentados durante a Lat.Bus 2026 | Foto: GQ/Frota&Cia

A nova bateria LFP apresenta uma série de diferenciais em relação à tecnologia NMC. Sua vida útil é estimada em no mínimo 6.000 ciclos, o que, segundo a empresa, pode alcançar aproximadamente 15 anos de operação. Em comparação, o sistema NMC atual tem vida útil de até 4.000 ciclos. “Ela tem uma vida útil maior do que é a NMC. Portanto, ela acompanha o tempo de vida do ônibus, estimado em 15 anos”, detalha Rezende.

Outro ponto destacado é a capacidade de recarga rápida. O sistema pode ser carregado de 10% a 80% em cerca de 30 minutos, dependendo da configuração e da potência do carregador. “Além desse planejamento para o carregamento noturno dos ônibus, as baterias também podem ser recarregadas em intervalos durante o dia”, observa o diretor.

Em termos de segurança e estabilidade térmica, a química LFP é reconhecidamente superior à NMC, o que a torna especialmente adequada para aplicações urbanas. “Ela é uma bateria muito segura”, resume Rezende.

A BorgWarner desenvolveu o sistema LFP em quatro configurações de tamanho, permitindo a instalação em diferentes posições do veículo, incluindo sob o piso, no teto ou em formato cúbico para aplicações em caminhões. “Encontramos uma forma de deixar o produto escalável para abranger todo esse leque de potenciais clientes”, afirma o executivo. Essa modularidade, viabilizada pela tecnologia Blade, permite atender desde veículos urbanos de piso baixo até caminhões de médio porte, com packs que variam de 1 a 2 metros de comprimento. “É difícil você criar variantes específicas para cada cliente. Então, com esse conceito de modularidade, conseguimos cobrir bem a gama da necessidade dos nossos parceiros”, conta Rezende.

Embora a LFP esteja ganhando espaço, a BorgWarner não pretende abandonar a tecnologia NMC. “Estamos enxergando muitas aplicações que precisam de altíssima densidade energética, como caminhões para longas distâncias e, até aplicações marítimas como principais mercados para a NMC”, pontua Rezende. “Por mais que ela tenha um valor agregado maior do que a LFP, ainda vai ter o seu nicho e a sua aplicação”, complementa.

A LFP, por sua vez, é apontada como a tecnologia ideal para mobilidade urbana, como ônibus, caminhões e vans. “A densidade energética não alcança a NMC, mas já chegou muito perto com essa tecnologia nossa”, complementa o diretor.

Hibridização

Um movimento observado pela empresa é o retorno do interesse por veículos comerciais híbridos, especialmente para nichos onde a infraestrutura de recarga ainda é incipiente. “Na nossa leitura, esse tema voltou à tona de novo. Em contato com alguns potenciais clientes, identificamos a necessidade de aplicações que precisam de maior autonomia sem a necessidade de uma infraestrutura de recarga das baterias”, afirma Rezende. “É interessante que com essa bateria ganhamos mais flexibilidade para atender todos esses nichos e todas essas necessidades dos clientes”, conclui.

Com a nova plataforma LFP, a BorgWarner amplia sua capacidade de atender diferentes perfis de clientes no segmento de veículos comerciais, oferecendo uma solução que equilibra custo, durabilidade e desempenho em um mercado que, segundo a empresa, caminha para uma eletrificação gradual, mas inevitável.

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