Em evento realizado na concessionária De Nigris, revendedora dos veículos comerciais e serviços Mercedes-Benz, na Zona Norte de São Paulo, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, apresentou um balanço técnico do programa Move Brasil e sinalizou a intenção do governo federal de transformar a iniciativa em política de Estado permanente.
Criado para estancar a queda de 20,5% nas vendas da linha pesada registrada no ano passado, o programa oferece uma linha de crédito de R$ 10 bilhões com taxas equalizadas pelo BNDES, reduzindo os juros para o transportador de 23% para cerca de 13% ao ano. “Precisamos de um programa permanente de renovação de frota. Estamos trabalhando com a Petrobras para viabilizar um fundo que equalize a taxa de juros de forma contínua”, afirmou Alckmin, destacando que a medida provisória que instituiu o programa tem validade de quatro meses e depende de aprovação no Congresso.
O diretor de Comunicação Corporativa e Relações Institucionais da Mercedes-Benz do Brasil, Luiz Carlos Moraes, abriu o encontro ressaltando a urgência da renovação da frota brasileira, cuja idade média supera os 20 anos, com mais de 300 mil caminhões circulando nessas condições. “Esse número impacta diretamente a economia e a produtividade. Precisamos de um instrumento como o Move Brasil para dar um salto tecnológico, oferecendo segurança e eficiência energética”, declarou.
Move Brasil até agora
Segundo dados da montadora, já foram negociados 400 caminhões via Banco Mercedes-Benz utilizando as linhas do programa, com centenas de propostas adicionais em andamento por meio de outras instituições financeiras. O vice-presidente de vendas da marca, Jefferson Ferrarez, complementou que a diferença nos juros representa uma economia de cerca de R$ 140 mil no financiamento de um cavalo-mecânico pesado, o que aqueceu significativamente a procura.

Alckmin detalhou a engenharia financeira do programa, que combina recursos do BNDES com equalização do Tesouro Nacional para baratear o custo do capital. Até o momento, R$ 4,2 bilhões já foram empenhados em menos de dois meses de vigência, sendo R$ 115 milhões direcionados exclusivamente aos caminhoneiros autônomos — dos quais R$ 48 milhões foram destinados à aquisição de seminovos.
“Reservamos R$ 1 bilhão para os autônomos justamente para evitar que as grandes empresas consumissem todo o recurso. E inovamos ao financiar também o seminovo até a etapa Euro 5, permitindo que o pequeno transportador dê o primeiro degrau na renovação”, explicou o vice-presidente da República, mencionando que o programa concede redução adicional de 1% nos juros para quem encaminhar o veículo velho para a reciclagem.
Mais segurança nas estradas
O político também relacionou os ganhos do programa a indicadores de saúde pública e ambiental. “A terceira maior causa de morte no Brasil são as causas externas, como acidentes de trânsito. Um caminhão com tecnologia Euro 6 polui 40 vezes menos que um veículo com 30 anos de uso e reduz drasticamente o risco de acidentes”, comparou Alckmin.
A análise do vice-presidente incluiu a necessidade de adaptação logística diante do crescimento da safra agrícola (estimada em 17%) e do recente acordo Mercosul-União Europeia, que deve aumentar a demanda por transporte rodoviário de cargas. “O Brasil é o quarto maior do mundo em malha rodoviária. Precisamos de eficiência: o caminhão na estrada, não na oficina”, resumiu.
Congresso joga contra
Alckmin informou que o governo monitora o saldo e trabalhará para consumir a totalidade dos R$ 10 bilhões dentro do prazo legal. “Não queremos que sobre nada. Se não houver instalação da comissão da MP no Congresso, vamos acelerar a execução antes dos quatro meses para não perder o recurso”, afirmou, criticando a paralisia na análise de medidas provisórias.
Será?
Durante o evento, o empresário Urubatan Helou, fundador e presidente da Braspress, sugeriu a eliminação de intermediários bancários para reduzir ainda mais o custo do crédito, enquanto Alckmin demonstrou receptividade à ideia. “Reduzir o custo de capital é fundamental. Vamos avaliar essa sugestão”, respondeu. A proposta prevê acesso direto das transportadoras aos recursos do BNDES, eliminando o spread bancário.
Ferrarez finalizou ao comentar que a renovação constante da frota é vital para a cadeia produtiva, desde os fornecedores de autopeças até a rede de concessionárias, responsáveis por milhares de postos de trabalho. “Mais de 60% de tudo que é produzido no Brasil viaja de caminhão. Um programa como este fortalece a indústria nacional, melhora a segurança nas estradas e impulsiona a produtividade do país”.
