Interior do Brasil impulsiona novo ciclo do comércio eletrônico

Dados mostram que cidades fora das capitais emitem 80% mais encomendas e recebem 194% mais pedidos

Por Gustavo Queiroz

- novembro 3, 2025

Loggi

Um movimento significativo de interiorização do comércio eletrônico brasileiro foi registrado no terceiro trimestre de 2025, conforme detalhado pelo mais recente Mapa da Logística, estudo elaborado pela empresa Loggi. A pesquisa técnica aponta que as vendas online de pequenas e médias empresas (PMEs) sediadas em grandes capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília experimentaram um crescimento de 194% no volume de pacotes enviados para consumidores localizados em cidades do interior, com destaque para municípios como Niterói (RJ), Ribeirão Preto (SP), Sorocaba (SP), São José dos Campos (SP) e Vila Velha (ES). Este fenômeno evidencia um avanço estrutural na digitalização do consumo para além dos grandes centros urbanos.

Paralelamente, o levantamento identifica uma dinamização das operações logísticas originárias do próprio interior. Empresas situadas em polos regionais como São José dos Pinhais (PR), Brusque (SC), Joinville (SC), Serra (ES) e Londrina (PR) aumentaram em 80% o volume de encomendas com destino a outras cidades que também não são capitais, incluindo Santos (SP), Jundiaí (SP), Uberlândia (MG), Maringá (PR) e São José do Rio Preto (SP). Este dado consolida a dupla função do interior brasileiro, que passa a atuar simultaneamente como polo emissor e receptor de compras online, ampliando a circulação de mercadorias e descentralizando o comércio eletrônico nacional.

Na busca por eficiência operacional e redução de custos, os pontos de recebimento (conhecidos como PUDOs/Pick Up and Drop Off points) consolidaram-se como uma ferramenta logística estratégica para os empreendedores. O uso deste modelo de entrega registrou um aumento de 22% no terceiro trimestre de 2025 em comparação com o trimestre anterior, refletindo a adaptação das PMEs a formatos que oferecem maior flexibilidade e acessibilidade.

Pela primeira vez, o estudo dedicou uma análise específica à Black Friday, utilizando análises preditivas e inteligência de dados para traçar projeções para o evento. As regiões Sudeste e Sul são apontadas como os principais polos logísticos, tanto na origem quanto no destino dos pacotes, embora se espere um aumento expressivo na movimentação de mercadorias nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, indicando a contínua expansão geográfica do consumo digital.

Quanto ao perfil de compras, as categorias com maior potencial de crescimento para a data incluem cosméticos e perfumaria, vestuário e moda, calçados, eletrônicos e informática, artigos esportivos e alimentos. Segmentos como joias e bijuterias, jogos e brinquedos, e papelaria/livraria também devem ganhar destaque, demonstrando a diversificação de oportunidades para negócios de diversos nichos.

O estudo também revela uma disparidade no valor médio dos pedidos projetados para a Black Friday. Enquanto grandes marcas devem operar com um ticket médio de R$ 197,00, os pequenos negócios podem registrar uma média de R$ 184,00. Em contraste, os grandes marketplaces devem apresentar um valor médio mais baixo, de R$ 106,00, o que reforça o posicionamento competitivo das PMEs e marcas independentes em categorias de maior valor agregado.

A análise regional do terceiro trimestre confirma a consolidação do Centro-Oeste como uma região estratégica, com Goiás liderando o ranking nacional de crescimento, registrando uma alta de 202% na movimentação de pacotes. O eixo Sul-Sudeste concentrou a maior quantidade de estados entre os cinco com maiores taxas de crescimento, com destaque para a estreia do Paraná, que cresceu 15%.

No Nordeste, Bahia, Ceará e Pernambuco afirmaram-se como polos logísticos relevantes para envio e recebimento de mercadorias. A região Norte também mostra avanços, com Rondônia integrando pela primeira vez a lista dos dez estados que mais recebem pacotes, um sinal claro da ampliação da malha logística nacional.

Em termos de representatividade, as regiões Sudeste e Sul se destacaram pela maior presença de PMEs, com 13% e 22% do volume, respectivamente, superando a participação das grandes marcas, que foram de 11% e 12% nestas mesmas regiões. Do ponto de vista categórico, os artigos esportivos foram a categoria com a maior taxa de crescimento em todo o Brasil no período, registrando um aumento de 150%. Como comparação, no primeiro semestre de 2025, os maiores crescimentos foram registrados pela categoria de óticas (310%), pelo estado de Santa Catarina (281%) e pelos pequenos negócios (61%).

Os eventos sazonais do varejo continuam sendo poderosos catalisadores para o e-commerce, com performance especialmente relevante para os pequenos negócios. Durante a Semana do Dia dos Pais de 2025, o varejo digital registrou o pico de movimentação do trimestre, com 2,7 milhões de pacotes entregues, o que representou 17% de todos os envios realizados no período.

Na Semana do Dia do Cliente, comemorada no mesmo trimestre, o comércio eletrônico movimentou mais de 2,5 milhões de pacotes em todo o país. Nesta data, os pequenos negócios foram o grande destaque, registrando um aumento de 68% no volume de envios em comparação com o mesmo período de 2024. A performance superior das PMEs nestes períodos reforça que estratégias de relacionamento, campanhas personalizadas e proximidade com o consumidor constituem vantagens competitivas decisivas para esse segmento, que amplia consistentemente sua participação nas datas comemorativas.

 

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