Infraestrutura precária segura evolução dos implementos rodoviários

A péssima condição de nossas nas estradas e a morosidade das entidades regulatórias dificultam a adoção de implementos rodoviários mais modernos e eficientes

Por Gustavo Queiroz

- julho 22, 2025

Gemini Generated Image je9un7je9un7je9u

A busca pelo aumento da capacidade de carga dos implementos rodoviários produzidos no país não se resume a uma questão tecnológica ou apenas regulatória. A falta de infraestrutura do Brasil para dar apoio ao transporte rodoviário aparece como principal fator que limita o desenvolvimento desses equipamentos, associado ao excesso de burocracia dos órgãos reguladores. Diante do fato, a indústria de implementos rodoviários vive o permanente conflito de conciliar a pressão do mercado por melhorias no produto e a realidade nacional.

Mario Rinaldi, Anfir baixa
Mário Rinaldi, diretor Executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir)

O comentário tem o endosso do diretor Executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), Mário Rinaldi, ao relatar os principais pleitos do setor e os desafios para a aprovação de textos regulatórios no país associados ao produto.

Segundo ele, qualquer alteração na legislação depende da Câmara Temática de Assuntos Veiculares do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que reúne fabricantes, transportadores e órgãos fiscalizadores. “Não adianta o cliente pedir e a indústria fazer. Tem que passar por Anfir, Anfavea, DNIT, PRF, etc, o que torna o consenso mais difícil”, ressalta o diretor.

Um bom exemplo disso é o quarto eixo em carretas, que levou quase três anos para ser regulamentado pelo Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito), depois de incontáveis testes técnicos e debates com órgãos como DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e concessionárias de rodovias. “O processo é lento porque envolve estudos de impacto em pontes, pavimento e até na dinâmica do veículo“, explica Rinaldi, que lamenta a morosidade do sistema, mesmo diante de soluções consensuais.

Limitação das pontes

Carretas de 11 eixos
Composição de 11 eixos: uso limitado, por causa da falta de capacidade das pontes

Essa mesma realidade vem dificultando a aprovação da proposta de regulamento que amplia as composições de 9 para 11 eixos, pleiteada por transportadores de grãos. “O DNIT comprova que nossas pontes não aguentariam. Sem investimento em infraestrutura, não há como evoluir“.

A aprovação de um adicional de 5% no peso bruto total (PBT) para veículos com suspensão pneumática é outro tema prioritário para a Anfir, ressalta o representante da Anfir. “A suspensão pneumática é limitadora de peso e pode vir com balança embarcada, um dispositivo barato que evitaria filas nas pesagens”. Segundo ele, a adoção da tecnologia traria muito mais segurança às estradas, ao mesmo tempo em que preservaria as vias de tráfego.

Em adição, Rinaldi lembra que, enquanto países como os EUA operam carretas ultraleves (sem chassis), o Brasil segue dependente de estruturas robustas e pesadas para suportar estradas em más condições. “Tentativas de reduzir o aço nos implementos fracassaram porque as carretas quebravam nas nossas rodovias“.

Não sem motivo, o transporte de grãos é o que mais exige mudanças, dada sua escala. Porém, segmentos como frigoríficos e coleta de lixo também dependem de adequações legais. “Caminhões compactadores de resíduos, por exemplo, precisaram de uma legislação específica para não serem considerados ilegais por causa do peso“.

Diante de tais fatos, Mário Rinaldi afirma que o setor seguirá cauteloso: “Podemos desenvolver tecnologias, mas se o panorama atual não mudar, continuaremos presos aos mesmos limites“, afirma categórico.

 

 

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *