Além da Economia: Gestão de Frota de Ônibus está Salvando Vidas

Além de controlar custos, sistemas integrados de gestão previnem acidentes e também salvam vidas

Por Victor Fagarassi

- outubro 2, 2025

Gestão de Frota de Ônibus

Em um país onde o transporte rodoviário é responsável por mais de 65% da circulação de cargas e pessoas, gerenciar uma frota de ônibus vai muito além de controlar planilhas de custos. É uma questão de segurança. É o que defende Paulo Raymundi, CEO da Gestran, empresa especializada em software de gestão para frotas, que defende uma mudança de mentalidade urgente no setor: enxergar a tecnologia não como um custo, mas como um investimento vital em vidas.

Em entrevista, o executivo detalhou que, embora a busca inicial das empresas por sistemas de gestão seja quase sempre motivada pelo aperto financeiro, como a necessidade de controlar o consumo de combustível, o desgaste de pneus e os custos de manutenção. O benefício mais impactante está na capacidade de prevenir tragédias.

“Um ônibus transporta 40, 50 vidas. Quem sustenta esse veículo na estrada são os pneus. Um pneu mal calibrado em um dia de chuva, em um asfalto ruim, pode ser a diferença entre uma viagem segura e um atropelamento fatal”, alerta Paulo. Ele cita um caso recente em Curitiba, onde um ônibus sem freio, devido à falta de manutenção, não conseguiu parar em um semáforo e colidiu, resultando em mortes. “Nesse caso, o motorista, os diretores e os proprietários podem ser responsabilizados. É uma negligência. Um software de gestão é, antes de tudo, uma ferramenta de segurança e responsabilidade”.

Como a Tecnologia Funciona na Prática

O sistema atua como um centro de controle inteligente. Integrado a rastreadores e telemetria, ele atualiza automaticamente a quilometragem de cada veículo e dispara alertas proativos para a equipe.

A manutenção preditiva atua com base no plano de revisão do fabricante e no histórico do veículo, o sistema gera ordens de serviço automáticas para troca de óleo, filtros e revisões de freios e suspensão antes que uma falha ocorra.

Já a gestão de pneus monitora o desgaste de cada pneu, programa rodízios e alerta para calibragens, buscando o menor custo por quilômetro rodado e, principalmente, a condição ideal de segurança.

O checklist eletrônico garante que nenhum ônibus saia da garagem sem que o sistema verifique itens críticos como documentação, condições dos faróis, sinaleiras e itens de segurança.

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O maior desafio não é a tecnologia, mas a mão de obra

De acordo com o especialista, o maior obstáculo para a modernização do setor não é o custo do software, mas a carência de profissionais qualificados. “Falta mão de obra especializada e, muitas vezes, interesse em se qualificar. Um gestor de frota carrega uma responsabilidade enorme e precisa ser valorizado. Empresas estão tendo que bancar cursos e treinamentos para formar seus próprios talentos“, explica.

O futuro é proativo: IA e Monitoramento em tempo real

A próxima fronteira da gestão de frotas já está sendo traçada com Inteligência Artificial (IA). A empresa está desenvolvendo agentes inteligentes que se comunicam com os gestores via WhatsApp, enviando alertas e permitindo consultas em linguagem natural. “A IA é uma caixa vazia que aprendemos com nossos dados. Ela não substitui o gestor, mas o empodera com insights poderosos”, diz Paulo.

Em breve, uma central com 12 telas irá monitorar em tempo real as frotas de clientes, onde especialistas humanos em pneus, combustível e manutenção poderão identificar problemas que passaram despercebidos e contatar as empresas de forma proativa. “Estamos saindo do papel de fornecedores de software para nos tornarmos parceiros operacionais na segurança do transporte”.

Adobe Express file (17)Para além do custo

Paulo Raymundi finaliza destacando benefícios intangíveis. Um software robusto melhora drasticamente a qualidade de vida do gestor, que deixa de ser acionado a todo momento para apagar incêndios. “O gestor ganha vida familiar, e a empresa ganha eficiência”. O controle rigoroso do consumo de combustível e das emissões também se traduz em uma operação mais sustentável e menos poluente.

A mensagem final é clara: em um setor onde cada decisão técnica impacta dezenas de vidas, investir em gestão tecnológica deixou de ser uma opção para se tornar uma obrigação legal, moral e operacional.

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