Índice ABCR: Fluxo em rodovias pedagiadas tem crescimento moderado em dezembro de 2025

Setor de concessões encerra 2025 com alta de 2,5%, mas analistas veem 2026 desafiador, com juros altos e crédito restrito podendo frear consumo e transporte de cargas

Por Gustavo Queiroz

- janeiro 12, 2026

Índice ABCR dezembro 2025

O Índice ABCR, principal termômetro do tráfego em estradas concedidas do país, encerrou 2025 com crescimento moderado, mas apresentou sinais de desaceleração e desempenhos divergentes entre categorias de veículos no último mês. Elaborado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) em parceria com a Tendências Consultoria, o indicador avançou 0,5% em dezembro de 2025, na comparação dessazonalizada (ajustada para efeitos sazonais) com novembro. Este resultado mensal, no entanto, esconde movimentos opostos: enquanto o fluxo de veículos leves subiu 0,5%, o de pesados recuou expressivos 3,5%.

Na análise interanual, comparando dezembro de 2025 com o mesmo mês de 2024, o cenário é mais robusto, com alta total de 3,6%. Nesse período, ambos os segmentos contribuíram positivamente, sendo que os leves cresceram 3,4% e os pesados, 4,3%.

Considerando o acumulado de todo o ano de 2025, o índice total registrou expansão de 2,5%. O desempenho foi puxado por uma alta de 2,6% no fluxo de veículos leves, enquanto os pesados tiveram incremento um pouco mais modesto, de 2,3%.

Segundo análise de Thiago Xavier e Felipe Melchert, economistas da Tendências Consultoria, o desempenho anual refletiu a combinação de um mercado de trabalho dinâmico – que ampliou os deslocamentos cotidianos e fortaleceu a renda familiar, sustentando viagens a passeio – com a expansão contínua do e-commerce, maior demanda por serviços logísticos e o bom desempenho da produção agropecuária, fatores decisivos para o segmento de carga.

Eles destacam que, em dezembro, os veículos leves atingiram o maior patamar histórico da série dessazonalizada. Em contrapartida, os pesados registraram a segunda queda consecutiva após o pico de outubro, movimento influenciado pelo efeito calendário, com menos dias úteis no mês.

Para 2026, a perspectiva apontada pela consultoria é de desafios. Uma conjuntura macroeconômica com crédito restrito, inadimplência elevada e juros em patamares altos deve limitar o consumo e reduzir a demanda por bens industriais, impactando negativamente o transporte pesado. Medidas governamentais, como a reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e programas de estímulo setorial, são vistas como fatores que podem oferecer resiliência e sustentar parte da demanda por viagens e pelo segmento comercial.

A análise por estados revela perfis distintos no último mês do ano. No Rio de Janeiro, o fluxo total de veículos nas praças de pedágio recuou 0,2% em dezembro frente a novembro (série dessazonalizada). A ligeira alta de 0,2% nos leves não foi suficiente para compensar a queda de 1,5% nos pesados. No acumulado do ano, o estado registrou crescimento total de 1,6%, com leve alta de 1,4% nos automóveis e 2,4% nos caminhões.

Já em São Paulo, maior malha concedida do país, o índice total apresentou recuo de 0,3% em dezembro. O resultado decorreu da estabilidade (0,0%) no fluxo de veículos leves e de uma forte contração de 3,9% no segmento de pesados. Em relação a dezembro de 2024, entretanto, o estado teve alta expressiva de 3,2%. No acumulado de 2025, o avanço foi de 2,0%, com ambos os segmentos crescendo de forma muito próxima: 2,0% os leves e 1,9% os pesados.

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *