Crimes mais sofisticados atrapalham o agronegócio brasileiro 

Setor que movimenta R$ 30 bilhões em fertilizantes por ano sofre com roubo e adulteração de cargas, ameaçando a credibilidade do país como exportador global 

Por Gustavo Queiroz

- julho 24, 2025

Roubo de fertilizantes no transporte de cargas

O agronegócio brasileiro, um dos pilares da economia nacional, enfrenta uma nova e preocupante modalidade de crime organizado que consiste em quadrilhas especializadas em roubo e adulteração de cargas de grãos e fertilizantes. Com técnicas cada vez mais sofisticadas, esses golpes já causam prejuízos anuais que ultrapassam R$ 40 milhões apenas em fertilizantes e outros R$ 40 milhões em grãos, de acordo dados da Alper Seguros, uma das principais corretoras de seguros do setor.

Denis Teixeira, vice-presidente da Alper Cargo, aponta três principais tipos de crime em ascensão. O primeiro é a subtração e troca de produtos, em que fertilizantes e farelo de soja são substituídos por materiais sem valor, como areia. O segundo é a fraude na alteração de destinatários, na qual golpistas mudam notas fiscais para desviar cargas. O terceiro é o estelionato com documentos falsos, em que caminhoneiros têm seus dados usados para aplicar golpes. Um caso emblemático ocorreu quando uma carga de farelo de soja adulterada com areia foi rejeitada em um porto estrangeiro, causando um prejuízo de R$ 6 milhões em uma única operação.

O mapeamento dos crimes mostra concentração em rotas estratégicas. Paraná e Mato Grosso lideram em adulteração de fertilizantes, com destaque para as cidades de Paranaguá, Curitiba e Rondonópolis. Minas Gerais, especialmente nas regiões de Uberaba e Uberlândia, também registra aumento nos casos. Além disso, Mato Grosso se consolida como o epicentro de fraudes na alteração de destino de cargas.

As consequências vão muito além do prejuízo direto. No mercado internacional, a recusa de cargas adulteradas prejudica a imagem do Brasil como fornecedor confiável. No campo, o uso de fertilizantes falsificados reduz a produtividade, levando a ações judiciais e quebra de contratos. Já na economia, a escassez de produtos pressiona os preços, contribuindo para a inflação dos alimentos.

Para mitigar o problema, a Alper Seguros criou produtos específicos, como o “Proteção 360° Alper Cargo“, que inclui monitoramento via aplicativo, consultoria em gestão de risco e cobertura para fraudes em notas fiscais. “O agronegócio opera 365 dias por ano, e o gerenciamento de risco é essencial. Nossas soluções são feitas sob medida para essa realidade“, afirma Teixeira.

Com um mercado de fertilizantes que gira em torno R$ 30 bilhões ao ano, as perdas milionárias representam uma ameaça não só econômica, mas à segurança alimentar e à posição do Brasil no agronegócio global.

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