Em entrevista coletiva nesta terça-feira, 6, na Anfavea (Associação Nacional de Veículos Automotores), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, informou que o desconto do governo para aquisição de veículos já está valendo. “A Medida Provisória já foi assinada, publicada e já está valendo”, disse.
Alckmin afirmou que estão todos otimistas com a resposta que o mercado deve dar às novas medidas. “Estamos muito otimistas aí com a resposta dos consumidores, com a preservação do emprego e fortalecimento da indústria. É um programa inteligente porque inclui os veículos leves e leva em consideração três fatores, o social, o crédito tributário, ou seja, para o consumidor, o maior desconto leva em consideração o carro de acesso: quanto mais barato o carro, maior o desconto. Em segundo lugar, considera a questão ambiental, pois quanto melhor eficiência energética, quanto menos polui, maior o desconto. E também a densidade industrial, pois o maior número de componentes nacional também é considerado”, explica.
Ele também esclareceu alguns detalhes do programa. “O estímulo mínimo é de R$2 mil reais para carros de até 120 mil reais, quase metade do mercado de carros brasileiros. O máximo é de até 8 mil reais de desconto. É importante que a indústria automobilística representa 20% da indústria de manufatura e toda cadeia desde a pré indústria, os insumos, aqueles que produzem os insumos até o pós indústria: as oficinas, as peças, o que dá perto de 1, 2 milhão de pessoas. Estamos otimistas, são R$500 milhões que o governo colocou como crédito tributário”, disse.
E mencionou a entrada dos caminhões Euro 6 no mercado como parte de uma importante mudança devido ao apelo ambiental. “Também entraram no programa os caminhões e ônibus. Houve uma mudança do euro 5 para o euro 6. Isso é ótimo porque atende o meio ambiente, polui menos, menos particulados (…). Muito importante, só que encareceu tanto os ônibus como caminhões. E aí poderia ter feito ao contrário dessa decisão Conama lá atrás, implantada agora em 2023. Na prática poderia resultar em não venda, devido ao encarecimento, e poderíamos ficar com uma frota envelhecida de caminhões e ônibus punida pelo problema de segurança e pelo problema mecânico”, afirma.
Caminhões e ônibus
Alckmin explicou o detalhamento do crédito tributário para caminhões e ônibus. “Foi dado um crédito tributário que varia de R$33, 6 mil para caminhões semi-leves, de cargas menores, e de R$ 38 mil para ônibus transporte de passageiros para capacidade de até 20 passageiros. Até R$80,3 mil para caminhão de carga pesada e até 99,4 mil para ônibus de passageiros maiores. É uma medida importante, que por outro lado, retira o caminhão ou o ônibus velho.
Em seu detalhamento, ele ressaltou a condição de que para ser incluso no programa o beneficiado tem que apresentar caminhões ou ônibus com mais de 20 anos de idade. ”A exigência para receber esse crédito tributário, essa redução no preço, é apresentar um caminhão ou ônibus com mais de 20 anos. Então vai estimular a renovação da frota, tirando da rua caminhão velho, ônibus velho que polui, com problema de segurança, e de mobilidade. O crédito é de R$1,5 bilhão, sendo R$500 milhões para veículos leves, R$ 700 milhões caminhões e R$300 milhões para ônibus. Atende ao transporte coletivo urbano, suburbano, rodoviário, atende o transporte de carga mais leve, aos pesados maiores. O que vai ser muito importante para a logística brasileira.”
Ele entende que o programa vai beneficiar a população de baixa renda. “Atende os veículos mais leves, trazendo aí um critério social, atendendo pessoal de menor renda e ambiental, pois polui menos. E densidade industrial. Para as exportações, o BNDES anunciou uma linha de R$4 bilhões para quem exporta com financiamento em dólar. Então, o risco de variação cambial é praticamente zero. Se recebe em, dólar, paga em dólar, financiamento com custo mais baixo. O presidente Lula quer mais emprego mais renda, que o mercado interno, mercado brasileiro também cresça”, finalizou.
Márcio Lima Leite, presidente da Anfavea observou que o programa tem aspectos positivos. “O programa tem aspectos bem positivos no ponto de vista da indústria e para o mercado. Tantas vezes houve essa discussão sobre os carros populares, que estavam inacessíveis para a população, para a turma que estava buscando adquirir o seu 1º carro. Então, tem um aspecto bem importante proporcionar mobilidade para a população e ter um impacto quando falamos em questões ambientais. Esse carro usado, em média, emite 23 vezes mais que um carro novo. Então, esse programa ao colocar em circulação veículos novos e proporcionar aos consumidores a troca do veículo, tem contribuição extremamente importante para o meio ambiente e nessa semana do meio ambiente não tem notícia melhor para a população”, observa.
Ele também chama atenção para o impacto da MP na indústria. “ É uma questão importante para o país, para a industrialização, a retomada das fábricas. Infelizmente, no último ano e neste ano tivemos diversas paralisações. Só com a discussão que tivemos, três montadoras decidiram suspender seus lay-offs e paralisações para atender a demanda. Isso é bastante positivo para empregos, para a cadeia de suprimentos e para a cadeia de componentes”, enumera.
