WEG lança motores leves e baterias seguras para ônibus elétricos

Com motores até 50% mais leves e packs de bateria com combate a incêndio integrado, WEG mostra tecnologias para eletrificar ônibus e caminhões

Por Gustavo Queiroz

- setembro 29, 2026

Gustavo Dal Pont, analista de vendas da WEG

A WEG revelou, recentemente, uma série de novidades voltadas ao mercado da eletromovilidade, com foco em sistemas mais leves, compactos e eficientes para ônibus, caminhões e veículos comerciais de menor porte. Gustavo Dal Pont, analista de vendas da companhia, foi o responsável por detalhar tecnicamente cada uma das soluções apresentadas, que incluem motores de alta rotação com redutor planetário, motores com bobinagem Hairpin, conjuntos de compressor de ar com inversor e packs de baterias de fabricação nacional.

O primeiro equipamento destacado por Dal Pont foi um motor WEG modelo 132 acoplado a um redutor planetário. Segundo o analista, o grande diferencial desse conjunto está na altíssima rotação de operação, o que permite reduzir as dimensões da carcaça e, ao mesmo tempo, transformar essa velocidade em alto torque na saída por meio do redutor. “Projetamos um propulsor mais compacto com redutor de velocidade. Transformamos a rotação em um torque alto na saída. Com isso, conseguimos diminuir muito o peso do sistema”, explicou.

Dal Pont comparou o conjunto a um sistema direct drive sem redutor, pois enquanto o motor equivalente pesaria cerca de 250 kg, o sistema com redutor planetário gira na casa dos 120 kg — aproximadamente metade do peso. O motor é de ímãs permanentes, característica que viabiliza a alta velocidade de rotação. O arrefecimento é feito por líquido, e a carcaça é de alumínio, contribuindo para a leveza do conjunto. O redutor planetário apresenta redução de 3,5 para 1, e o sistema inclui ainda um inversor de frequência que faz o controle do motor a partir de sinais enviados pelo veículo. Esse conjunto é voltado para veículos médios, como vans e furgões, ficando um pouco abaixo da faixa dos micro-ônibus.

Hairpin

Na sequência, o analista apresentou o motor 250 S Hairpin, assim denominado por causa do tipo de bobinagem utilizada. Em vez de fios cilíndricos, o motor emprega fios retangulares que se assemelham a grampos de cabelo — daí o nome Hairpin. “Dessa forma, a gente consegue fazer um preenchimento maior das ranhuras do estator do motor e consegue tirar mais desempenho numa carcaça menor”, afirmou Dal Pont.

O motor entrega potência máxima de 320 kW e torque de pico próximo a 3.000 Nm. Para obter desempenho equivalente com uma bobinagem convencional, seria necessário aumentar o diâmetro da carcaça. O motor é acompanhado por um inversor de maior porte, o CW800, responsável pela comunicação com o veículo. Esse modelo é indicado para ônibus e micro-ônibus, incluindo veículos de até 12 metros.

Inversor

O terceiro conjunto apresentado foi um motor com compressor de ar e inversor de frequência, destinado a sistemas de freio e abertura de portas de veículos de grande porte, como ônibus e caminhões. A solução integra um motor WEG, um compressor de um parceiro e o inversor EPTO 25, voltado para sistemas auxiliares.

Recarga

Por fim, Dal Pont detalhou os sistemas de armazenamento de energia da WEG, com baterias de fabricação nacional, produzidas em Jaraguá do Sul (SC). O pack mais utilizado atualmente no mercado é baseado em células LFP (lítio ferro fosfato) e conta com sistema de combate a incêndio integrado à caixa do pack, além do BMS (Battery Management System).

“Caso alguma célula esteja desbalanceada, esteja descarregando mais que a outra, dê algum curto-circuito, conseguimos monitora isso eletronicamente. E se der um surto de corrente, os contatores da bateria já abrem, o sistema de incêndio já aciona e solta o gás na bateria para evitar que o fogo se propague”, descreveu o analista. Apesar de a célula LFP ser reconhecidamente mais segura e menos sujeita a incêndios, Dal Pont ressaltou que a WEG mantém os sistemas de segurança como prioridade. A garantia de performance é de oito anos.

O pack é composto por vários submódulos de células, o que permite a substituição local de apenas um submódulo defeituoso, sem necessidade de trocar todo o conjunto. Segundo Dal Pont, esse é o pack mais utilizado hoje no mercado.

A WEG também está introduzindo um novo modelo modular, com caixas menores que podem ser associadas em série ou paralelo e posicionadas em locais estratégicos do veículo, como bagageiro ou chassi. O novo pack tem 30 kWh e 203 V de tensão, e mantém todos os sistemas de combate a incêndio e monitoramento do modelo anterior.

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