A substituição do diesel por biometano em veículos de limpeza urbana ganha ritmo acelerado no Brasil, impulsionada pela expansão da oferta do combustível e pelo desenvolvimento de tecnologias para adaptação de caminhões pesados. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, frotas já operam com a nova matriz energética, combinando redução de emissões, menor impacto sonoro e potencial de economia operacional.
O grupo MAT, maior fabricante de cilindros da América Latina, registrou salto significativo na demanda nos últimos dois anos. Em 2024, a empresa comercializou 492 cilindros para ônibus e caminhões, sem projetos voltados à limpeza urbana. Já em 2025, foram fornecidas 1.835 unidades para veículos pesados, das quais 874 (47,6%) destinadas a operações de coleta de resíduos. Para 2026, a projeção é de 2.109 cilindros, com 30% direcionados ao setor.
“O biometano deixa de ser alternativa pontual e se consolida como opção para a descarbonização do transporte pesado“, afirma Luis Fernando Assaf, presidente da MAT. “A limpeza urbana reúne atributos ideais: veículos de uso intenso, alta disponibilidade e operação concentrada nas cidades“, complementa.
O fornecimento da MAT ocorre por meio de sistemistas, empresas que desenvolvem projetos de aplicação e instalação dos equipamentos. Em São Paulo, a tecnologia atende clientes como Convergas e MWM. No Rio de Janeiro, a MWM, em parceria com a BMB, produziu caminhões para a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), que já opera cerca de 100 veículos a biometano, entre compactadores, basculantes e poliguindastes. Os caminhões apresentam desempenho equivalente ao diesel, com redução de até 90% nas emissões de gases de efeito estufa e menor nível de ruído.
O avanço do biometano está ligado à expansão da produção nacional, especialmente a partir de resíduos agroindustriais e biogás de aterros. Para Assaf, o modelo conecta gestão de resíduos, mobilidade e energia: “O resíduo deixa de ser passivo e passa a ser fonte de energia para a própria cidade“, aponta.
O executivo ressalta, porém, que a transição energética exige estruturação de toda a cadeia, envolvendo produção, distribuição, abastecimento, veículos e componentes para acompanhar a demanda crescente.
