O número de acidentes envolvendo o transporte rodoviário de produtos perigosos no estado de São Paulo apresentou queda de 4,69% em 2025. De acordo com o Relatório Anual de Ocorrências no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, divulgado pela Comissão de Estudos e Prevenção de Acidentes no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), foram registradas 467 ocorrências no período, contra 490 em 2024.
Apesar da redução no volume de sinistros, o documento aponta que 30 acidentes resultaram em mortes ao longo do ano. Para o presidente da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos, Oswaldo Caixeta, os números refletem os investimentos realizados pelas transportadoras em segurança operacional, mas reforçam a necessidade de avançar na redução das fatalidades.
Segundo o dirigente, a diminuição dos acidentes está diretamente relacionada à ampliação de programas de capacitação de motoristas, adoção de tecnologias de monitoramento, gestão de riscos e manutenção preventiva das frotas. No entanto, ele destaca que o setor trabalha com a meta de eliminar totalmente as ocorrências com vítimas fatais.
O levantamento mostra que as colisões traseiras foram o tipo de acidente mais frequente em 2025, representando 36% de todas as ocorrências registradas. Em seguida aparecem os choques (15%), colisões laterais (12%) e tombamentos (11%).
Os dados também revelam uma concentração maior de acidentes entre os meses de maio e julho. Julho foi o período com o maior número de registros, totalizando 49 ocorrências.
Para a ABTLP, o crescimento das colisões traseiras chama atenção por indicar que parte dos riscos enfrentados pelas operações de transporte de cargas perigosas está relacionada ao comportamento de outros usuários das rodovias, e não apenas às condições dos veículos ou das cargas transportadas.
Dados servirão de base para novo panorama do setor
As informações reunidas pela comissão serão utilizadas na elaboração do estudo “Panorama de Sinistros: Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos no Estado de São Paulo 2025”, que será lançado em breve pela ABTLP.
A entidade destaca que o material deverá auxiliar transportadoras na identificação dos principais fatores de risco das operações, contribuindo para a definição de investimentos em treinamento, tecnologia e gestão operacional. O estudo também servirá de referência para órgãos reguladores, equipes de fiscalização e profissionais ligados à cadeia logística.
A análise dos dados já tem resultado em ações práticas voltadas à segurança no transporte. Um dos exemplos citados pela ABTLP é o desenvolvimento do curso de Combinação de Veículos de Carga (CVC), realizado em parceria com a SEST SENAT. A iniciativa foi criada após levantamentos apontarem um número expressivo de tombamentos envolvendo esse tipo de composição, evidenciando a necessidade de ampliar a capacitação dos motoristas e fortalecer a cultura de prevenção nas operações.
Setor aponta desafios para ampliar segurança
Na avaliação da ABTLP, a redução dos acidentes é resultado dos investimentos realizados pelas empresas especializadas, dos avanços regulatórios e do fortalecimento das ações de fiscalização. Ainda assim, a entidade defende melhorias na infraestrutura logística para ampliar a segurança das operações.
Entre os principais desafios apontados estão a necessidade de rodovias em melhores condições, ampliação de áreas seguras para descanso dos motoristas, criação de estruturas adequadas para atendimento a emergências e fortalecimento de políticas que valorizem empresas comprometidas com boas práticas de segurança e conformidade regulatória.
