Protesto barra entrega de gasolina em posto

Por Freelers

- março 6, 2012

Contra a restrição de caminhões na marginal Tietê, caminhoneiros deixam de abastecer cidade com combustível

Motoristas que transportam combustível interromperam o abastecimento da cidade de São Paulo ontem em protesto à restrição de caminhões na marginal Tietê e em outras 27 vias. As multas para quem circular nos horários proibidos começaram a ser aplicadas ontem pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Se a paralisação continuar por “tempo indeterminado”, como prometem os caminhoneiros, poderá faltar combustível nos postos a partir de amanhã, dizem empresários do setor ouvidos pela Folha.

Nenhum posto que pediu combustível o recebeu ontem.

Caminhões não podem circular na via entre as 5h e as 9h e das 17h às 22h, sob pena de pagar multa de R$ 85,13 e receber quatro pontos na carteira de habilitação. Os VUCs, caminhões de carga menor, estão liberados para rodar.

A CET mobilizou 142 dos 2.400 marronzinhos que trabalham na cidade para fiscalizar o cumprimento da regra.

Movimento – Segundo José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de SP), os dias de maior volume de abastecimento dos postos são, justamente, segunda e terça-feira.

“Quem pediu para hoje já está com o estoque chegando ao final, porque a capacidade é para quatro dias, no máximo. Em alguns postos pode acabar logo”, afirmou.

Ainda segundo Gouveia, na última vez que houve crise semelhante, há cerca de 15 anos, o abastecimento dos postos demorou mais de uma semana para se normalizar.

Ontem, alguns proprietários de postos chegaram a registrar um aumento de 10% no movimento. Num deles, na rua Heitor Penteado, zona oeste da cidade, o combustível acabou já no início da tarde.

Empresas de ônibus, como a Viação Cometa, que tem posto próprio, também não receberam combustível ontem em suas garagens. O estoque dá para mais dois dias.

Segundo a viação, ela começou a remanejar o abastecimento. Alguns ônibus vão para Santos, por exemplo, para reabastecimento.

A paralisação de ontem tem articulação do sindicato dos transportadores autônomos, que responde por 90% das entregas feitas na capital.

Segundo o presidente da entidade, Norival de Almeida Silva, 100% da entrega foi paralisada. A reivindicação é o fim da restrição na marginal.

Negociação – A Secretaria Municipal de Transportes diz que fez uma série de reuniões com o setor para chegar à definição desse período, que originalmente seria três horas maior.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) admite renegociar a restrição.

O presidente do sindicato das empresas de transporte de carga, Francisco Pelucio, diz que o frete deve aumentar em 20% – valor, diz, a ser repassado para os consumidores.

Kassab diz que pode renegociar termos da regra – O prefeito Gilberto Kassab (PSD) sinalizou ontem que pode ceder à pressão dos caminhoneiros e voltar a negociar com a categoria. “Caso haja necessidade de aperfeiçoar o decreto, vamos aperfeiçoar, isso não diminui em nada a administração”, disse.

Ele salientou conhecer o impacto da medida ao trabalho dos caminhoneiros. Kassab também disse que é normal a “desorganização” nos primeiros dias, pois éum período de transição e os profissionais esquecem da proibição.

Antes de a nova regra entrar em vigor, a prefeitura chegou a reduzir o período de restrição.

Folha de  S.Paulo

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