O movimento Maio Amarelo voltou a colocar a segurança viária no centro das discussões do setor de transporte em 2026. No segmento de produtos perigosos, onde qualquer falha operacional pode gerar impactos ambientais, financeiros e humanos de grandes proporções, o tema ganha ainda mais relevância.
Segundo Eduardo Leal, secretário executivo da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), a conscientização promovida durante o Maio Amarelo ajuda a reduzir ocorrências e ampliar a cultura de prevenção nas estradas brasileiras. Em entrevista, o secretário destacou que campanhas educativas já apresentam reflexos práticos nas estatísticas do setor. “A gente observa resultados concretos dessas campanhas. Em períodos de maior conscientização no trânsito, como o Carnaval, houve redução no número de ocorrências envolvendo produtos perigosos”, afirmou.
A ABTLP reúne transportadoras, empresas da indústria química, gerenciadoras de risco, sindicatos, federações e companhias de atendimento emergencial. Apesar da diversidade de associados, a entidade afirma que sua atuação é totalmente voltada à defesa do transporte de produtos perigosos.
Entre as principais frentes de atuação estão o acompanhamento regulatório junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres, apoio às empresas em temas ambientais ligados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e discussões técnicas com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia.

Capacitação de motoristas ganha peso no Maio Amarelo
Durante o Maio Amarelo, a Associação intensificou ações educativas, divulgação de materiais informativos e treinamentos voltados às boas práticas no trânsito. A entidade também participa de iniciativas ligadas ao Secretaria Nacional de Trânsito e ao Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans). Um dos focos centrais da associação é a capacitação de motoristas especializados. O setor enfrenta escassez de profissionais habilitados para o transporte de cargas perigosas, cenário considerado ainda mais crítico do que no transporte rodoviário convencional.
Além da CNH adequada, os motoristas precisam realizar o curso MOPP (Movimentação Operacional de Produtos Perigosos), obrigatório para atuação no segmento. Segundo Leal, no entanto, o treinamento técnico precisa ir além das exigências mínimas da legislação. “As empresas passaram a investir ainda mais em treinamentos específicos, direção defensiva, procedimentos de emergência e conscientização ambiental”, explicou.
A associação também desenvolveu cursos gratuitos em parceria com o Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte, incluindo capacitações para Combinação de Veículos de Carga (CVC) e sinalização de veículos transportadores de produtos perigosos.
Tecnologia amplia controle e prevenção de acidentes
Outro destaque apontado pela ABTLP é o avanço tecnológico nas operações de transporte. Ferramentas de monitoramento em tempo real, rastreamento, gerenciamento de risco e câmeras embarcadas já fazem parte da rotina das transportadoras especializadas há mais de uma década. Segundo Leal, o setor foi um dos pioneiros na adoção dessas soluções devido às exigências regulatórias ambientais e operacionais.
Hoje, sistemas inteligentes conseguem identificar sinais de fadiga, distração e alterações comportamentais dos motoristas, permitindo ações preventivas antes da ocorrência de acidentes. Apesar disso, o secretário alerta que a tecnologia, sozinha, não resolve o problema da segurança viária.
“A tecnologia já atingiu um nível muito avançado. O grande desafio agora é investir na parte humana, nas boas práticas e no comportamento dos profissionais”, afirmou.
Infraestrutura precária ainda preocupa o setor
Embora reconheça avanços em fiscalização, tecnologia e qualificação profissional, a ABTLP avalia que a infraestrutura rodoviária brasileira continua sendo um dos principais gargalos para o transporte seguro de produtos perigosos.
Leal defende maior participação do poder público na melhoria das condições das rodovias, áreas de apoio e segurança dos motoristas. “Não adianta termos veículos modernos e profissionais capacitados rodando em estradas sem condições adequadas. A segurança também depende da infraestrutura”, concluiu.
