Estudo CNT aponta condições das rodovias paulistas

Por Victor Fagarassi

- janeiro 12, 2026

rodovias paulistas

A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) apresentou em dezembro de 2025 a 28ª edição do Estudo CNT de Rodovias. Desta vez, foram avaliados 114.197 quilômetros em todas as Unidades da Federação. O trabalho tem como finalidade mapear a infraestrutura rodoviária nacional e examinar o estado de seus principais aspectos, como piso, sinalização, geometria da pista e situação dos trechos problemáticos.

No Estado de São Paulo, foram percorridos 10.970 quilômetros, o equivalente a 9,6% da malha pesquisada no país. Conforme os critérios do levantamento, o Estado Atual das rodovias paulistas foi classificado como 49,4% Ótimo, 27,7% Bom, 22,1% Regular, 0,7% Ruim e 0,1% Péssimo.

Para Carlos Panzan, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), o resultado do estudo foi bastante positivo e demonstra que os esforços das autoridades estaduais refletem a importância dada ao transporte e à infraestrutura rodoviária. “Temos sete das dez melhores rodovias do Brasil, um resultado que comprova a atenção com que o transporte e a infraestrutura rodoviária vêm sendo conduzidos. Para nós, isso é uma grande satisfação, especialmente em um estado que é um dos principais motores da economia brasileira. Ainda assim, é essencial manter os investimentos e o planejamento constante para avançarmos ainda mais na qualidade e na segurança das nossas estradas”, afirmou.

PanzanApesar dos índices favoráveis, a pesquisa aponta que as condições do pavimento no estado geram um aumento de 14,6% no custo operacional do transporte. Esse impacto reflete-se na competitividade nacional e no preço final dos produtos. De acordo com a CNT, seria necessário um investimento de R$ 5,74 bilhões para reparar as rodovias paulistas com medidas urgentes (reconstrução e restauração).

A análise também mostra que, em 2025, estima-se que ocorreu um consumo adicional de 62,4 milhões de litros de diesel devido às deficiências no pavimento em trechos da malha rodoviária estadual. Esse excesso gerou um prejuízo de R$ 359,19 milhões aos transportadores e a emissão de 165,14 mil toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera. “Esses dados mostram como o pavimento em más condições afeta diretamente os custos operacionais do transporte rodoviário. O consumo elevado de diesel não significa apenas uma perda financeira expressiva para as empresas, mas também um retrocesso ambiental, com crescimento considerável na liberação de gases de efeito estufa”, avaliou Panzan.

Apesar dos desafios, a FETCESP vê um cenário otimista, uma vez que o estado de São Paulo registrou apenas 24 pontos críticos dos 2.146 identificados em todo o Brasil. “Este resultado é fruto de um trabalho que exige investimento, realizado por meio de parcerias público-privadas, via concessões. No final de 2025, tivemos a inauguração do trecho norte do Rodoanel, conectando as rodovias Dutra e Fernão Dias, que será fundamental tanto para o transporte de cargas quanto para o de passageiros, e seguimos avançando para melhorar cada vez mais a infraestrutura das rodovias paulistas”, destacou Panzan (foto).

As melhores rodovias do país

O Estado de São Paulo, junto com a atuação de empresas privadas, tem realizado uma série de concessões rodoviárias que se refletem na boa condição das vias. O estudo revela que sete das melhores rodovias do país estão em São Paulo – seis delas administradas por concessionárias privadas:

1º Lugar – São Paulo: SP-270 (Raposo Tavares) / BR-267 / BR-374 – Trecho de Presidente Epitácio a Ourinhos
3º Lugar – São Paulo: SP-348 (Rodovia dos Bandeirantes) – Cordeirópolis
4º Lugar – São Paulo: SP-225 (Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros/Engenheiro Paulo Nilo Romano) / BR-369 – Trecho de Itirapina a Santa Cruz do Rio Pardo
5º Lugar – São Paulo: SP-320 (Rodovia Euclides da Cunha) – Trecho de Rubinéia a Mirassol (pública)
7º Lugar – São Paulo: SP-070 (Rodovia Ayrton Senna/Carvalho Pinto) – Trecho de Taubaté a Guarulhos
8º Lugar – São Paulo: SP-021 (Rodoanel) – Trecho de Arujá a São Paulo
9º Lugar – São Paulo: SP-270 (Raposo Tavares) / BR-272 / BR-373 – Trecho de São Paulo a Itapetininga

Por fim, a pesquisa ressalta que não houve verba autorizada pelo governo federal para a infraestrutura rodoviária especificamente em São Paulo em 2025. “Apesar dos indicadores positivos e do êxito da iniciativa privada, é fundamental que o Governo Federal não deixe de aportar recursos na infraestrutura do estado”, concluiu Panzan.

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