Em um movimento que alia inovação e sustentabilidade, a Alpha 6 Veículos Especiais, por meio de sua startup EcoSave, está lançando um projeto de eletrificação veicular no Brasil via retrofit. A empresa, que já atua há quase três anos no desenvolvimento de soluções para mobilidade limpa, anunciou duas frentes de trabalho: a conversão de veículos a diesel para elétricas e um pioneiro sistema híbrido que combina hidrogênio e diesel, prometendo redução de até 80% na emissão de poluentes.

“O software é nosso. A bateria e o motor, claro que não, mas toda a parte de gerenciamento é nossa“, explica Leandro Zilig, diretor da Alpha6, sobre o projeto de retrofit elétrico. A tecnologia, que já está em fase de homologação, permite transformar veículos movidos a combustão em modelos zero emissão, aproveitando a estrutura existente.
Segundo Zilig, a iniciativa é especialmente relevante para frotas urbanas, como vans de entregas e transporte coletivo, setores que enfrentam pressão por descarbonização. “O elétrico não é para 100% dos casos, mas onde se aplica, como em centros urbanos, faz toda a diferença“, ressalta.
Híbrido
A novidade mais recente, ainda em fase de testes, é um sistema híbrido que injeta hidrogênio, produzido por eletrólise a bordo, na admissão de motores a diesel. Os resultados preliminares apontam redução de 30% no consumo de combustível e 80% na emissão de poluentes como NOx, com laudos que comparam medições antes e depois da modificação.
“Pego um caminhão com 10 anos de uso e faço ele poluir menos que um Euro 6 zero km“, afirma Zilig. A tecnologia, desenvolvida em parceria com uma empresa estrangeira (não revelada), promete ser mais acessível que o hidrogênio puro e já está sendo testada em ônibus em Jundiaí (SP), com planos de expansão para frotas urbanas e escolares.
O diretor reconhece que a adoção de tecnologias verdes ainda esbarra em custos e infraestrutura. Enquanto veículos leves (como carros e vans) já têm viabilidade financeira, impulsionada por subsídios e menor dependência de baterias, caminhões e ônibus elétricos enfrentam barreiras, sobretudo, de autonomia para distâncias maiores. “Um veículo de fretamento elétrico custa R$ 3 milhões. Nenhuma linha fecha essa conta hoje“, exemplifica.
É aí que entram alternativas como o híbrido a hidrogênio ou etanol, especialmente para frotas antigas. “O dono de um caminhão de 13 anos não vai saltar de R$ 200 mil (exemplo de custo de um extrapesado) para cerca ou até mais de R$ 1 milhão (em um 0Km). Nosso papel é oferecer opções que reduzam emissões sem inviabilizar o negócio“, defende.
Zilig cita políticas públicas que determinam metas para a adoção e expansão de frotas sustentáveis nas cidades e compromissos corporativos de ESG são aceleradores do mercado. “Empresas com grandes frotas de caminhões precisam de soluções escaláveis. Não haverá uma única resposta, mas várias“, pondera.
A Alpha6 prepara para o fim de 2025 a homologação do sistema híbrido, enquanto busca comprovar ganhos em vida útil do motor, algo já observado em testes internacionais, mas que depende da realidade brasileira. “Nosso diesel, nossas estradas e a idade média dos veículos são desafios extras“, conclui.
