Sem planejamento, sobra espaço em portos brasileiros

Por Freelers

- fevereiro 13, 2013

Enquanto terminais no Sudeste e Sul estão sobrecarregados com movimentação de cargas, terminais do Nordeste têm ociosidade

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Enquanto terminais no Sudeste e Sul estão sobrecarregados com movimentação de cargas, terminais do Nordeste têm ociosidade

A inexistência de um planejamento logístico integrado criou um desequilíbrio no sistema portuário brasileiro. Enquanto muitos portos do Sudeste e do Sul estão sobrecarregados com a movimentação de cargas de todo o País, outros complexos são subaproveitados pela falta de infraestrutura, no Nordeste e no Norte. É o que revela um estudo da consultoria Booz & Company, encomendado pelo BNDES e que serviu de apoio para o pacote do governo federal.

O trabalho mapeou os principais complexos portuários (portos públicos e privados por estuário) de Norte a Sul do Brasil. Pelo menos quatro deles – que respondem por 57,1% do total movimentado no País – estavam operando acima da capacidade adequada para a prestação de serviço. Na prática, isso significa fila de espera de navios, custos com a estadia das embarcações e perdas de escala que, somados, encarecem bastante o produto nacional.

Pelo estudo da Booz & Company, o Porto de Santos, que é o maior da América do Sul, ainda não superou sua capacidade, assim como Itajaí, que inclui o Porto de Navegantes. O resultado geral por complexo, no entanto, esconde a situação de cada terminal. De acordo com a consultoria, na área de grãos, um dos principais itens da balança comercial brasileira, nove dos 15 terminais avaliados estavam acima da capacidade. Na movimentação de açúcar, todos os terminais estavam acima ou no limite da capacidade. A carga em contêiner também sofre das mesmas carências, mas há mais terminais com folga, segundo o estudo.

O resultado traz fortes preocupações para os empresários do agronegócio, especialmente por causa da previsão de super safra para este ano. Luiz Henrique Dividino, superintendente dos portos de Paranaguá e Antonina, um dos complexos mais demandados na exportação de grãos, afirma que os problemas verificados hoje são resultado de mais de 20 anos sem planejamento portuário no País, que não conecta o agronegócio e os terminais. “O esgotamento dos portos está ligado à falta de planejamento.”

Planejamento. O vice-presidente da Booz & Company, Luiz Vieira, e o diretor da consultoria, Carlos Eduardo Gondim, responsáveis pelo trabalho, não acreditam em apagão logístico, mas concordam que falta planejamento. Nos últimos anos, lembram eles, houve uma superposição de atribuições dentro do governo que não levaram a lugar nenhum.

“O Ministério dos Transportes fez um plano de logística. A Secretaria de Portos fez outro”, diz Gondim. Além de baixo número de terminais arrendados, o processo de ampliação da capacidade é lento e burocrático. Qualquer troca de equipamentos nos terminais para, requer uma reavaliação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), diz o diretor.

Para os executivos, o setor portuário precisa mudar o rumo para atender com eficiência a demanda que virá nos próximos anos. Até 2031, a movimentação de carga atingirá 1,8 bilhão de toneladas. Hoje está em 886 milhões. Os projetos em execução, segundo o estudo, devem elevar a capacidade para algo em torno de 1,3 bilhão de toneladas.

“O que precisa ser avaliado agora é se novos portos ou terminais estão sendo construídos no lugar correto”, questiona Vieira. Na opinião dos executivos, não adianta fazer empreendimento em locais sem infraestrutura de acesso, seja rodoviário ou ferroviário. Além disso, é preciso ter carga para justificar o projeto.

Nordeste. Hoje há uma série de portos na costa do Nordeste que estão obsoletos e sem infraestrutura adequada para receber navios, caminhões ou ferrovias. “Esses terminais não são usados porque têm limitações e não são equipados”, destaca o consultor Nelson Luiz Carlini. Por causa da degradação dos complexos, os armadores deixam de fazer escalas nos portos e migram para outros mais modernos.

Na região, há dois portos mais modernos e que ainda estão operando abaixo da capacidade, segundo a Booz & Company. São eles Suape (PE) e Pecém (CE) – que serão beneficiados pela construção da ferrovia Transnordestina. O assessor executivo do porto cearense, Joaquim Alcântara, não concorda que o terminal esteja operando abaixo da capacidade. Segundo ele, o berço 1 do Pier 1 esta ocioso, mas o berço 2 tem alta taxa de ocupação – acima de 90%.

Em outros casos, os portos foram estrangulados pelas cidades, como Salvador. No fim do ano passado, o presidente da Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), José Rebouças, reconheceu que o porto sofre com o acesso terrestre, mas afirmou que o problema seriaresolvido com a construção de uma viaexpressa que ficará pronta em abril deste ano.

O porto de Natal, lembra Carlini, também perdeu muitas cargas nos últimos anos por causa da restrita infraestrutura. Na avaliação dele, alguns estão fadados ao abandono.

O Estado de S.Paulo

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