A Iveco sejuntou ao grupo de montadoras que estão dando férias coletivas neste mês devido à forte queda nas vendas de veículos. A partir de hoje (08), a montadora para por mais dez dias sua linha de caminhões pesados, que, desde abril, já vinha operando em esquema de semana curta de trabalho, com dois dias a menos de produção.
Já na quinta-feira (11), a empresa também vai conceder férias coletivas aos 250 operários do setor no parque industrial de Sete Lagoas (MG) onde é fabricado o veículo militar blindado Guarani. Nesse caso, a parada será de 30 dias e tem como motivo a falta de novos pedidos do Exército. A paralisação não atinge, contudo, as demais linhas do complexo, como os setores que produzem caminhões leves, médios e o furgão Ducato.
As vendas de caminhões caíram mais de 42% neste ano, sendo a linha pesada a mais afetada pela crise – dados coletados até abril mostram queda superior a 60% no segmento. Só a Iveco registrou nos cinco primeiros meses deste ano vendas 46,6% menores do que em 2014, com menos de 2 mil caminhões emplacados no período.
Esse desempenho afeta diretamente a atividade da FPT Industrial, a fornecedora de motores do grupo instalada ao lado da linha de montagem de caminhões. Segundo Marco Aurélio Rangel, novo presidente da FPT na América Latina,a fábrica de propulsores a diesel está operando com ociosidade próxima de 20% e deve terminar o ano com 54 mil motores produzidos, 6 mil a menos do que em 2014, que já tinha sido um ano difícil para a indústria de veículos comerciais.
“Todo mundo já puxou o freio de mão e alguns já engataram a marcha à ré”, diz o executivo, ao analisar a falta de confiança de empresas transportadoras em renovar frotas num ambiente de fraca atividade econômica, com condições mais restritivas nos financiamentos a bens de capital pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A saída tem sido buscar clientes fora do grupo e desenvolver os motores para novas aplicações.
Férias coletivas também param a primeira quinzena deste mês as fábricas da Mercedes-Benz em Juiz de Fora (MG) e no ABC Paulista, mesma região onde a Scania e a Ford interromperam a produção nesta semana com folgas a operários.
Fonte: Valor Econômico
