Volvo prevê queda de 19% nas vendas de caminhões em 2015

Por Freelers

- fevereiro 26, 2015

Terceira maior montadora de veículos comerciais do país, a Volvo tem perspectivas distintas em relação ao desempenho de seus dois negócios no mercado automotivo brasileiro. No embalo do reajuste das tarifas do transporte público, a empresa vê tendência positiva para as vendas de ônibus. Por outro lado, no mercado de caminhões, as projeções são pessimistas, como reflexo do cenário de incertezas, fraca atividade econômica e mudanças nas condições de financiamento que encareceram o crédito a bens de capital no país.

Mesmo assim, na expectativa de reação dos volumes a partir de 2016, diretores da Volvo garantiram ontem que o cenário recessivo não afeta investimentos no Brasil, assim como a expansão da rede de concessionárias – o plano é abrir mais nove revendas neste ano.

Em entrevista coletiva a jornalistas, a direção da subsidiária da Volvo na região repetiu ontem projeções divulgadas no início do mês pela matriz na Suécia que apontam para emplacamentos de 75 mil caminhões pesados e semipesados no Brasil durante este ano. Isso é 19% menos do que o resultado de 2014, que já foi um ano negativo dessa indústria.

Embora tenha dito que a empresa está com efetivo ajustado a essa realidade – após as demissões de 206 operários anunciadas em dezembro -, o sueco Claes Nilsson, presidente da Volvo na América Latina, adiantou que a empresa terá de se adequar a um mercado retraído. Também preferiu não se comprometer com a manutenção dos empregos. “No momento, estamos com nossa força de trabalho adequada. Fizemos um ajuste no ano passado e não temos nenhum outro plano [de corte vagas] por enquanto. Mas vamos continuar acompanhando o que está acontecendo no mercado”, disse Nilsson, que assumiu o comando da Volvo na região em janeiro.

Segundo o executivo, o mercado vem operando sob clima de alto nível de incerteza, o que provoca um ritmo de vendas “muito lento” neste início de ano.

De acordo com o diretor de caminhões da montadora, Bernardo Fedalto, as vendas desse veículo neste mês não devem chegar a 5 mil unidades, menos da metade do volume de fevereiro de 2014, de 10,4 mil caminhões. Ele diz que a paralisia do mercado se deve, em parte, a indefinições em torno dos financiamentos a bens de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Só no dia 9 de fevereiro a instituição financeira confirmou que complementaria, cobrando juros a valores de mercado, a parcela dos financiamentos não coberta pela linha de crédito mais barata: o BNDES PSI, cujas taxas são subsidiadas.

Na expectativa de que o BNDES traria nova alternativa de financiamento, as transportadoras adiaram compras, diz Fedalto. “Na prática, o ano começou na última segunda-feira”, afirmou o executivo, após lembrar que, depois do anúncio do BNDES, os bancos repassadores do crédito ainda tiveram que ajustar seus sistemas e, no meio disso, houve o Carnaval.

Se o cenário na indústria de caminhões é nebuloso, as perspectivas no setor de ônibus são mais promissoras, avalia a Volvo. Para a montadora, 2015 deve ser um “ano melhor” no segmento de coletivos em razão do aumento das tarifas de transporte públicos – dando “alívio” aos operadores -, dos investimentos em mobilidadee da demanda por “sistemas inteligentes de transporte”.

Fonte: Valor Econômico

Compartilhe nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *