Usiquímica cresce 85% e triplicará produção com R$ 120 milhões

Expansão industrial, novas frentes em químicos e entrada no segmento naval explicam salto de receita da companhia em 2025

Por Gustavo Queiroz

- fevereiro 13, 2026

Complexo industrial da Usiquímica

A Usiquímica, companhia brasileira do setor químico com operações integradas nos segmentos de lubrificantes, fluidos para controle de emissões e insumos industriais, registrou um crescimento de 85% no faturamento consolidado de 2025 em relação ao ano anterior. O salto, segundo a empresa, reflete a consolidação de um ciclo de investimentos iniciado no fim de 2024, marcado pela reestruturação da capacidade industrial, pela incorporação de ativos e marcas e pela diversificação do portfólio em direção a aplicações de maior valor agregado.

O resultado foi puxado principalmente pela expansão no setor de lubrificantes, que ganhou escala com a aquisição das operações brasileiras da YPF Lubrificantes, concluída em dezembro de 2024. O negócio transferiu para a Usiquímica o controle da planta industrial localizada em Diadema (SP), unidade que desde então passou por um processo de reorganização do layout produtivo e modernização de linhas de envase e mistura. A fábrica foi transformada na Usiblend, plataforma industrial multimarcas criada pelo grupo para centralizar a produção contratada e própria.

Em janeiro de 2025, a companhia anunciou um plano de capex de R$ 120 milhões voltado à unidade, com previsão de triplicar a capacidade instalada até o fim deste ano. O objetivo, segundo Osvane Lazarone, diretor comercial da Usiquímica, é elevar o volume processado para até 6 milhões de litros mensais, ante os cerca de 2 milhões de litros atuais. A expansão visa atender tanto a demanda interna das marcas controladas pelo grupo quanto contratos de terceiros.

Para 2026, a Usiquímica projeta crescimento consolidado de 20%, com a expectativa de que os ganhos de escala na planta de Diadema e a maturação das novas frentes químicas sustentem a trajetória de expansão. “Ao ampliarmos a atuação em amônia, assumimos um papel ativo na redução de emissões industriais. Trata-se de um agente que atua na origem dos poluentes, com impacto direto na qualidade do ar”, afirmou Lazarone.

Usiblend

A Usiblend passou a absorver integralmente, ainda em 2025, a produção nacional da Valvoline, marca da qual a Usiquímica detém a representação oficial no Brasil desde 2018. Com isso, 87% do portfólio da Valvoline comercializado no país passou a ser fabricado localmente, num movimento que reduz a exposição cambial e encurta o ciclo logístico. Em agosto, a empresa firmou parceria com a Emirates National Oil Company (ENOC), estatal do governo de Dubai, para a produção local da linha de lubrificantes marítimos da petroleira.

O avanço no setor elevou a participação da Usiquímica no mercado brasileiro de lubrificantes de 1% para 3%, posicionando o grupo entre as seis maiores empresas do segmento no país. O faturamento da unidade de lubrificantes cresceu 17% em 2025, desempenho que, segundo a companhia, reflete tanto o ganho de escala industrial quanto a ampliação do portfólio de serviços de blending e envase para terceiros.

No segmento de Arla 32, fluido utilizado em sistemas de redução catalítica seletiva (SCR) no transporte rodoviário, a Usiquímica registrou alta de 18% no ano. A empresa, que produz a solução desde 2012 sob a marca Arla 32 Ecotec, concentrou os investimentos em 2025 na ampliação da capacidade de armazenagem e na otimização logística, com foco no abastecimento de frotas e distribuidores. Como desdobramento, a companhia iniciou a produção do AUS 40, formulação com concentração de ureia de 40% ante 32,5% do Arla 32 convencional, voltada a aplicações industriais e navais. As primeiras entregas estão previstas para este ano. A projeção interna para a unidade em 2026 é de crescimento de 15%.

Divisão química

a divisão química do grupo registrou expansão de 20% em 2025, impulsionada pela estruturação de novas frentes de negócio. Uma delas é o fornecimento de amônia para sistemas de controle de emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) em processos industriais, mercado que, segundo Lazarone, começou a ganhar tração no fim do ano passado com projetos de grande escala. A companhia também passou a comercializar, a partir do quarto trimestre, matérias-primas para a indústria de lubrificantes, incluindo óleos básicos, aditivos, componentes para formulação e polímeros utilizados na produção de modificadores de índice de viscosidade. A operação conta com estrutura comercial e de suprimentos dedicada.

Agro

No agronegócio, a empresa lançou em 2025 a linha de adjuvantes FortFix, produtos utilizados para melhorar a eficiência de defensivos e fertilizantes na aplicação. O portfólio químico inclui ainda o fornecimento de ureia, em sinergia com a operação de Arla.

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