A eletrificação do transporte coletivo no Brasil está provocando uma transformação profunda na indústria de ônibus. Mais do que substituir motores a diesel por sistemas elétricos, o movimento está reposicionando o papel do design, que deixa de ser apenas estético e passa a influenciar diretamente engenharia, eficiência operacional e experiência do usuário.
Esse novo cenário ganha força principalmente nos grandes centros urbanos, como São Paulo, onde a adoção de ônibus elétricos avança rapidamente e cria um ambiente propício para inovação. Com menos limitações mecânicas, os fabricantes passam a ter mais liberdade para repensar arquitetura, proporções e organização interna dos veículos.
É nesse contexto que a Mascarello apresenta o Horizon, um ônibus urbano 100% elétrico que simboliza essa mudança de paradigma na indústria nacional. O modelo foi concebido desde o início como elétrico, permitindo uma integração mais eficiente entre design e engenharia.
Design no centro da estratégia
A principal ruptura está justamente na forma como os veículos são projetados. Tradicionalmente, o desenvolvimento de ônibus era guiado quase exclusivamente por critérios técnicos e de custo. Agora, o design passa a atuar como elemento estratégico, influenciando desde a distribuição dos componentes até a experiência de passageiros e motoristas.
Com a eletrificação, itens como baterias e sistemas de tração podem ser reposicionados, reduzindo interferências estruturais e abrindo espaço para layouts mais eficientes. Isso impacta diretamente o conforto, a acessibilidade e a circulação interna, além de melhorar a eficiência energética e operacional.
Segundo João Melo, designer industiral da DSGN&CO, “quando o design é incorporado desde o início do processo, ele organiza proporções, experiência de uso e identidade de marca. Isso fortalece a competitividade do produto, melhora a experiência do transporte e amplia o valor percebido para operadores, motoristas, passageiros e para a própria cidade”.
Outro reflexo dessa transformação está na identidade visual dos ônibus urbanos. Com menos restrições técnicas, os modelos passam a adotar linhas mais limpas, superfícies contínuas e uma linguagem estética mais alinhada às cidades modernas, reforçando o papel do transporte coletivo como elemento central da mobilidade urbana.
Internamente, a evolução também é significativa. A arquitetura elétrica permite pisos mais regulares, melhorando a acessibilidade e a circulação de passageiros. Além disso, soluções construtivas mais leves e materiais mais modernos contribuem para aumentar a autonomia e reduzir custos operacionais.
Apesar dos avanços, o mercado brasileiro de ônibus elétricos ainda conta com poucas opções de fornecimento, o que abre espaço para novos entrantes e amplia a competitividade do setor. Nesse cenário, iniciativas como a da Mascarello indicam um movimento mais amplo de transformação da indústria. O avanço da eletrificação marca o início de uma nova fase no transporte coletivo. A tendência aponta para veículos cada vez mais integrados, eficientes e centrados na experiência urbana, consolidando o ônibus como peça-chave na mobilidade sustentável das cidades.

Segundo João Melo, designer industiral da DSGN&CO, “quando o design é incorporado desde o início do processo, ele organiza proporções, experiência de uso e identidade de marca. Isso fortalece a competitividade do produto, melhora a experiência do transporte e amplia o valor percebido para operadores, motoristas, passageiros e para a própria cidade”.