A falta de motoristas profissionais é um dos desafios do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Segundo levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o país perdeu cerca de 1,2 milhão de motoristas de caminhão nos últimos dez anos.
A redução da mão de obra afeta transportadoras, indústrias e operadores logísticos, que dependem do transporte rodoviário para movimentar produtos entre portos, aeroportos, centros de distribuição, fábricas e consumidores. Para lidar com o cenário, empresas têm investido na formação de novos condutores, no desenvolvimento interno e em medidas de retenção.
Programa prepara motoristas para conduzir carretas
Na West Cargo, uma das iniciativas é o Programa Motorista Trainee Carreteiro. A empresa custeia a mudança da categoria C para a categoria E da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), necessária para a condução de veículos de maior porte.
Após a alteração da habilitação, o profissional passa por treinamentos internos, acompanhamento de instrutores, cursos e avaliações práticas. Ao concluir as etapas e demonstrar preparo, pode assumir a função de motorista carreteiro e continuar seu desenvolvimento dentro da empresa.
Segundo Luigi Rosolen, diretor da West Cargo, a formação interna permite adaptar o treinamento às exigências de cada operação. “Quando capacitamos o motorista internamente, conseguimos prepará-lo para as características específicas de cada operação. Isso é positivo para a segurança da empresa e também para o próprio profissional, porque ele aprende boas práticas desde o início e passa a ter condições de evoluir na carreira”, afirma.
A empresa também conta com o apoio da Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte (FABET). A parceria busca preparar motoristas que já atuam com veículos menores para a condução de carretas, com qualificação e remuneração compatíveis com as novas atribuições.
A West Cargo mantém um programa de bonificação baseado em indicadores de telemetria. Entre os critérios avaliados estão condução segura, economia de combustível, produtividade, cumprimento de procedimentos e direção responsável. A empresa informa que distribui cerca de R$ 180 mil por ano em bonificações. Os motoristas com melhores avaliações também têm prioridade na utilização dos caminhões mais novos da frota.
