Vendas de pneus nacionais caem 6,8%, enquanto importados disparam 81,2%

Associação aponta desequilíbrio no mercado de reposição, onde a indústria nacional detém apenas 29% de participação, e cobra medidas do governo federal

Por Victor Fagarassi

- julho 30, 2026

Vendas de pneus nacionais caem 6,8%, enquanto importados disparam 81,2%

As vendas de pneus nacionais encerraram o primeiro semestre em retração, em um contexto de crescimento da concorrência dos importados. Dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) indicam que as vendas de pneus de passeio, comerciais leves e de carga fabricados no país caíram 6,8% entre janeiro e junho de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No total, as fabricantes nacionais comercializaram 17,8 milhões de pneus nos primeiros seis meses do ano, ante 19,1 milhões no mesmo intervalo de 2025. No mesmo período, as importações avançaram 81,2%.

“Há um desequilíbrio no mercado brasileiro de pneus. O crescimento das importações pressiona empregos, investimentos e a sustentabilidade da indústria instalada no país”, afirma Rodrigo Navarro, presidente da ANIP.

A maior retração ocorreu no mercado de reposição, principal canal de atuação dos importados, no qual as vendas da indústria nacional recuaram 10,1%. O fornecimento para as montadoras permaneceu praticamente estável, com queda de 0,3%.

Com esse resultado, a indústria brasileira encerrou o semestre com 29% de participação no mercado de reposição, ante 71% dos produtos importados. No primeiro semestre de 2021, os fabricantes nacionais detinham cerca de 64% desse mercado, enquanto os importados respondiam por 36%.

Vendas de pneus nacionais caem 6,8%, enquanto importados disparam 81,2%

Importações disparam no segmento de carga

O crescimento das importações foi especialmente acentuado no segmento de pneus de carga. Entre janeiro e junho, as compras externas dessa categoria aumentaram 157,9%. Os produtos importados já representam 73% do mercado de reposição de pneus de carga, enquanto a participação nacional caiu para 27%.

“Os pneus importados frequentemente ingressam no país com preços reduzidos artificialmente e, considerando o volume total reportado pelo IBAMA, os importadores não atendem às exigências ambientais de recolhimento e destinação de pneus inservíveis”, afirma Navarro. Segundo dados do IBAMA, citados pela ANIP, os importadores acumulam mais de 500 mil toneladas de pneus que deixaram de ser recolhidos nos últimos 14 anos.

ANIP clama por medidas

A ANIP aguarda a análise de pleitos encaminhados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) com o objetivo de reequilibrar o mercado. A associação menciona exemplos de medidas adotadas em outros países. O México elevou a tarifa de importação para 35%, enquanto a União Europeia estabeleceu tarifas de até 45,3% sobre pneus importados da China.

“O mundo está intensificando as barreiras tarifárias contra pneus da Ásia para proteger suas indústrias, enquanto o Brasil segue sem medidas equivalentes. Se ações urgentes não forem adotadas, haverá desindustrialização e aumento da dependência do mercado externo, com impacto inclusive no agronegócio, como no caso da borracha natural produzida no país”, conclui Navarro.

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