Parece enredo de filme de ação, mas foi exatamente o que aconteceu no circuito de Zhuzhou, na China, onde um caminhão elétrico de produção em série, com mais de dez toneladas, encarou curvas fechadas, retas violentas e saiu de lá com um tempo de volta que faria muito carro esportivo passar vergonha. A Sany colocou o modelo SE636 para serpentear no Hunan International Circuit, uma pista com selo de qualidade Grau 2 da FIA que é conhecida por apelidos nada carinhosos, como “pista infernal”. O desafio era provar que um monstro de 870 cavalos e 2.500 Nm de torque pode ser tão ágil quanto forte, sem precisar de modificações ou truques de oficina.
Sob o comando do piloto profissional Tian Linwen, o caminhão pesado encarou os 3,77 quilômetros de asfalto com a fúria de quem está disputando uma pole position. Em cinco voltas consecutivas em ritmo de competição, a melhor marca marcada no cronômetro foi de 2 minutos, 43 segundos e 49 milésimos.

Para se ter ideia do desafio, a implacável pista conta com 14 curvas fechadas, um desnível máximo de 25,98 metros e inclinação transversal de 10%, números que fariam qualquer motorista suar frio, ainda mais ao volante de um veículo que pesa quase o equivalente a seis carros populares empilhados.

O SE636 atingiu velocidades de até 120 km/h. Em uma das curvas mais velozes do traçado, a T4, a passagem foi registrada a 97 km/h, uma velocidade digna de carros de corrida, mas executada por um bruto elétrico. A frenagem também entrou para o caderno de recordes, pois para parar o veículo de uma velocidade de 100 km/h até zero exigiu apenas 55,04 metros, enquanto a freada de 60 km/h até a imobilização total foi feita em 18,85 metros. Para coroar a estabilidade, o teste do alce (aquela manobra brusca para desviar de obstáculos) foi aprovado com entrada a 65 km/h, provando que o bicho não se desequilibra nem sob pressão.
O grande trunfo do teste, no entanto, foi a resistência. Enquanto carros comuns esquentam os freios após uma ou duas voltas, o caminhão manteve a performance afiada nas cinco voltas completas, sem sinais de fadiga térmica. A Sany fez questão de reforçar que o modelo rodou exatamente como sai da fábrica, sem nenhum preparo especial para pista, e com isso conquistou a primeira certificação mundial de desempenho em autódromo FIA para um caminhão elétrico pesado de produção seriada.
A título de comparação, carros a combustão com motor 2.0 turbo, que entregam entre 200 e 300 cavalos, costumam completar o mesmo circuito chinês em tempos entre 2min10 e 2min30. O caminhão da Sany ficou apenas 13 a 33 segundos atrás desses veículos, uma diferença ínfima quando se considera que ele pesa quase sete vezes mais.


