A nova fase do programa Move Brasil, rebatizada como BNDES Mais Mobilidade, registrou um início de operação que já sinaliza a possibilidade de esgotamento dos recursos antes do prazo formalmente estabelecido. Em menos de um mês desde a abertura do protocolo de recebimento de propostas, em 29 de maio, os agentes financeiros credenciados vêm reportando volumes de aprovação que, somados, já comprometem parcela significativa dos R$ 21,2 bilhões disponibilizados pelo banco de fomento para a renovação da frota de caminhões, ônibus e implementos rodoviários.
O Banco Mercedes-Benz do Brasil (BMB) aprovou R$ 1,069 bilhão em operações nas primeiras duas semanas de vigência do produto. O montante não apenas confirma a adesão do mercado às condições da linha, mas já supera os R$ 616 milhões submetidos pela instituição ao BNDES durante toda a primeira fase do Move Brasil.
Do total aprovado pelo BMB, R$ 768 milhões foram destinados à aquisição de caminhões e implementos rodoviários, enquanto R$ 301 milhões contemplaram ônibus e implementos, sinalizando, no segmento de passageiros, um momento positivo que consolida o programa como alternativa viável para ampliação da capacidade operacional das empresas.
O Scania Banco, por sua vez, reporta R$ 1,3 bilhão em propostas protocoladas no programa, volume que corresponde a cerca de 1.300 operações e 1.500 bens financiados, incluindo aproximadamente 1.300 caminhões, 130 implementos rodoviários e 40 ônibus. O resultado, obtido em menos de um mês de operação, já supera o desempenho da instituição na primeira fase do MoveBR, quando foram viabilizados mais de R$ 1 bilhão em negócios e a comercialização de mais de 1.250 caminhões. A segunda etapa do programa ampliou o escopo para incluir ônibus e implementos, o que explica parte da aceleração observada.
A velocidade das contratações não é um fenômeno isolado dessas duas instituições. Dados do BNDES indicam que, em apenas cinco dias de operação, o programa já havia aprovado R$ 6,6 bilhões, equivalentes a 31,2% da dotação orçamentária. Em 12 dias, esse número chegou a R$ 10 bilhões, ou 47,1% do total. O programa contabilizou 8.377 operações com tíquete médio de R$ 1,2 milhão, atendendo 1.373 municípios em todas as regiões do país. A maior parte dos recursos foi destinada a frotistas, com R$ 9,8 bilhões em 8.062 operações, dos quais R$ 1,6 bilhão para aquisição de ônibus.
Para Leonardo Piccinini, presidente e CEO do Banco Mercedes-Benz, o desempenho inicial reflete as condições atrativas da linha e a expertise da instituição na condução dos processos junto ao BNDES, que garantem agilidade e segurança aos clientes. “O volume aprovado revela uma demanda consistente por crédito em condições competitivas e aponta a confiança das empresas em retomar investimentos para renovar ou ampliar suas frotas, com foco em eficiência operacional e ganho de competitividade”, afirma. Com recursos limitados e operando por ordem de contratação, a recomendação do banco é que os interessados procurem uma concessionária Mercedes-Benz o quanto antes para garantir acesso às condições oferecidas.

O Scania Banco adota o mesmo tom de urgência. Oscar Jaern, presidente da Scania Serviços Financeiros Brasil, destaca que o resultado já atingido reforça o posicionamento da instituição como protagonista no financiamento e na aceleração da renovação de frota. “Está havendo uma busca maior, especialmente, entre pequenos e médios transportadores. Mas todos os perfis de clientes estão aderindo”, afirma. O diretor comercial Fábio D’Angelo complementa: “O montante de R$ 1,3 bilhão em propostas é um indicador claro da força do Move Brasil 2 e da nossa proximidade com o cliente. Estamos colocando mais veículos novos na estrada, na cidade e movimentando toda a cadeia do transporte de cargas e de passageiros.”
O diferencial competitivo dos bancos cativos, como Scania Banco e Banco Mercedes-Benz, reside na capacidade de oferecer soluções financeiras integradas ao negócio do transportador, com análise de crédito baseada no conhecimento profundo da operação, algo que bancos comerciais, em geral, não conseguem replicar com o mesmo nível de especialização. Isso se traduz em estruturas mais flexíveis e aderentes ao fluxo de caixa, além de uma visão mais ampla do ativo financiado e do ciclo do negócio.
O prazo para protocolo das operações segue aberto até 28 de agosto, mas o próprio BNDES ressalta que o programa poderá ser encerrado antes caso a dotação orçamentária seja totalmente consumida. Com um terço dos recursos já comprometidos na primeira semana e quase metade em menos de duas semanas, a expectativa do setor é de esgotamento ainda na segunda quinzena de julho. Para transportadores e frotistas que planejam investir em renovação de frota com financiamento de longo prazo e taxas reduzidas, a janela de oportunidade é curta e o mercado já se movimenta em conformidade.
