A Comissão de Abastecimento e Distribuição do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP) mantém uma agenda voltada para temas que impactam diretamente a operação do transporte urbano de cargas. Entre as prioridades estão a adaptação às novas exigências regulatórias como o CIOT, a redução de gargalos nas entregas e a busca por maior eficiência na relação entre transportadores, embarcadores e recebedores. O coordenador da comissão, Marinaldo Barbosa, detalhou os principais desafios acompanhados pelo grupo e destacou que as discussões vão além das demandas do setor, alcançando também questões ligadas à mobilidade urbana.
Um dos temas que ganhou destaque nas reuniões recentes da comissão é a entrada em vigor da obrigatoriedade de emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) para operações de carga fracionada. Segundo Barbosa, a principal preocupação da entidade neste momento é orientar as empresas sobre as novas regras e garantir que os transportadores estejam preparados para cumprir a exigência regulatória.
A partir de 24 de junho, toda operação registrada por meio de Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) deverá contar com emissão de CIOT. Embora as operações de carga fracionada não estejam sujeitas ao piso mínimo de frete durante a distribuição, a geração do código passa a ser obrigatória para permitir a fiscalização por parte da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
De acordo com o coordenador, o trabalho da comissão tem sido concentrado na disseminação de informações e esclarecimentos aos associados, especialmente após a publicação das regras definitivas.
A pauta regulatória faz parte de um conjunto de ações conduzidas pela diretoria, que também acompanha restrições de circulação, mudanças legislativas e discussões com prefeituras da Região Metropolitana de São Paulo para buscar maior padronização das normas aplicadas ao transporte urbano de cargas.
Tempo de descarga continua sendo um dos principais indicadores do setor
Outro eixo estratégico da comissão é o Índice de Eficiência no Recebimento (IER), estudo realizado anualmente pelo Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), braço técnico do SETCESP. A pesquisa avalia a infraestrutura e os processos de recebimento em supermercados, magazines, home centers e centros de distribuição. Além disso, considera o tempo médio de permanência dos veículos durante as operações de descarga.
Segundo Barbosa, cerca de 30% do trabalho de campo referente à edição de 2026 já foi concluído. A expectativa é finalizar essa etapa nos próximos meses para iniciar a coleta dos dados operacionais junto às transportadoras.O levantamento tornou-se uma ferramenta de gestão para o setor ao permitir que empresas identifiquem os segmentos com maiores dificuldades de recebimento e incorporem essas variáveis na formação de preços.
O estudo também utiliza uma Taxa de Dificuldade de Entrega (TDE), que considera o tempo gasto pelos veículos nas operações. Na prática, a ferramenta ajuda transportadores a mensurar custos adicionais gerados por clientes com processos mais demorados de descarga. Além de premiar os estabelecimentos com melhor desempenho, o IER também reconhece aqueles que apresentam maior evolução em relação aos resultados anteriores.
Cobrança de descarga e mobilidade urbana seguem entre os desafios
Entre os gargalos ainda enfrentados pelo setor, Barbosa cita a cobrança de taxas de descarga diretamente dos transportadores em determinados estabelecimentos. Segundo ele, a comissão defende que esse custo seja negociado diretamente entre recebedores e embarcadores, evitando que motoristas, agregados ou transportadoras precisem desembolsar valores no momento da entrega.
Para a entidade, a prática gera dificuldades operacionais e pode causar atrasos, especialmente quando o profissional responsável pela entrega não possui recursos disponíveis para efetuar o pagamento imediato. O tema vem sendo tratado por meio de reuniões e ações de relacionamento com grandes redes varejistas e centros de distribuição, numa tentativa de construir modelos considerados mais adequados para toda a cadeia logística.
Além dos impactos financeiros, Barbosa ressalta que a melhoria dos processos de recebimento tem reflexos diretos na mobilidade urbana. Reduzir o tempo de permanência dos caminhões nos pontos de entrega significa diminuir a ocupação das vias públicas, especialmente em áreas de grande circulação da Região Metropolitana de São Paulo.


