A Comissão de Transportes de Mudanças do SETCESP tem se consolidado como um importante fórum de articulação entre empresas do segmento, poder público e especialistas. Em entrevista, o vice-diretor Giuliano Realli detalhou como funciona a estrutura da comissão, suas principais frentes de atuação e os desafios enfrentados pelas transportadoras de mudanças, especialmente na capital paulista.
Formada por empresas associadas ao sindicato, a comissão é liderada por um diretor e um vice-diretor e atua de forma colaborativa. Segundo Realli, o grupo funciona como um espaço de troca de experiências, capacitação e alinhamento de boas práticas. Entre as principais atividades estão:
Orientação jurídica para empresas do setor, Discussão de melhores práticas operacionais, Representação institucional junto a órgãos públicos, Fortalecimento do segmento de mudanças no Brasil Além disso, a comissão desempenha papel estratégico no diálogo com autoridades municipais, especialmente em temas que impactam diretamente a operação das empresas.
Burocracia e restrições: o principal desafio
A principal bandeira da comissão atualmente é a redução da burocracia para atuação na chamada Zona Máxima de Restrição de Circulação (ZMRC), na cidade de São Paulo. Hoje, empresas de mudanças enfrentam uma série de exigências para operar nessas áreas, como:
Emissão de autorizações especiais de trânsito (AET), Pagamento de diferentes taxas, Restrições de horário para circulação e permanência. Atualmente, caminhões de mudança só podem acessar essas regiões a partir das 9h e devem sair até as 16h, sem possibilidade de permanência após esse horário — mesmo quando estão parados. De acordo com Realli, a comissão busca simplificar esse processo por meio de soluções como a criação de sistemas digitais unificados que permitam a obtenção de autorizações de forma mais ágil.
Avanços nas negociações
Apesar dos entraves, o cenário é considerado positivo. A comissão mantém diálogo com órgãos de trânsito da capital e já observa avanços nas discussões. A expectativa é que, ainda em 2026, haja novidades relacionadas à flexibilização das regras, incluindo a ampliação do horário de circulação — potencialmente até 18h ou 19h — o que permitiria maior alinhamento com as regras de condomínios residenciais.
Realli destaca que a atuação conjunta por meio do sindicato é essencial para viabilizar mudanças estruturais no setor. Segundo ele, sem a organização coletiva proporcionada pelo SETCESP, seria inviável negociar com o poder público ou acompanhar a constante criação de novas regras.

Custos e particularidades do transporte de mudanças
Diferente de outros segmentos do transporte rodoviário, o setor de mudanças possui características específicas que impactam diretamente no custo do serviço. Além do diesel e da mão de obra, destacam-se: Materiais de embalagem (plástico bolha, caixas, papel especial), Mão de obra especializada para desmontagem e montagem, Operações complexas, como içamento de móveis. Essas atividades exigem treinamento específico e, muitas vezes, envolvem riscos e autorizações adicionais, como a emissão de responsabilidade técnica (ART).
Outro desafio relevante é a escassez de profissionais qualificados. Segundo Realli, não apenas motoristas estão em falta, mas também ajudantes especializados em mudanças. Para suprir essa lacuna, empresas e o próprio sindicato têm investido em treinamentos e “escolinhas” para capacitação de novos trabalhadores, uma vez que o serviço exige habilidades específicas.
Mercado: crescimento moderado e busca por formalização
O setor apresentou desempenho positivo em 2025 e deve manter estabilidade com leve crescimento em 2026. Um dos fatores que contribuem para esse cenário é a maior conscientização dos clientes sobre a importância de contratar empresas formais. Ainda há alta informalidade no segmento, mas, segundo Realli, cresce a percepção de que o transporte de mudanças envolve bens de alto valor emocional e financeiro, o que aumenta a demanda por prestadores qualificados.
O mercado de mudanças apresenta sazonalidade bem definida, com maior volume nos períodos de férias escolares, especialmente entre novembro e fevereiro. Esse comportamento está ligado ao planejamento familiar e ao calendário letivo, que influenciam diretamente a decisão de mudança.
