Safra de soja turbina demanda por diesel B no Brasil em 2026, diz StoneX

Importações de diesel devem bater recorde em 2026, com demanda dependendo do avanço da mistura de biodiesel

Por Gustavo Queiroz

- fevereiro 20, 2026

Produção de soja para combustíveis deve crescer a partir do B16

A consultoria StoneX já revisou suas estimativas para o mercado brasileiro de diesel em 2026, puxada por uma combinação de fatores que vão do campo à indústria. De acordo com o novo levantamento da empresa global de serviços financeiros, a demanda por diesel B — que compreende o combustível comercializado nos postos, já misturado com biodiesel — deve atingir 70,8 milhões de metros cúbicos no próximo ano. O número representa uma alta de 1,9% sobre a projeção de consumo para 2025 e supera a estimativa anterior da própria consultoria, de 70,4 milhões de m³.

A revisão para cima, de acordo com Bruno Cordeiro, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, está ancorada no aumento das perspectivas agrícolas. “A elevação das estimativas de safra, especialmente de soja, sustenta um maior fluxo de transporte de grãos no país e, consequentemente, um consumo mais elevado de diesel B em 2026“, explicou. O movimento reflete a correlação direta entre a pujança do agronegócio e a movimentação da logística pesada no país.

Regionalmente, o avanço do consumo deve se dar de forma heterogênea. As regiões Sul e Sudeste puxarão o crescimento. No Sul, a expectativa é de recuperação robusta das safras de soja e milho, enquanto o Sudeste se beneficia do ritmo aquecido das exportações nos setores agrícola, industrial e extrativista. No Centro-Oeste, a despeito da alta na demanda, o ritmo de crescimento projetado é mais moderado, diante de uma expectativa de colheita de soja menor em alguns estados da região.

Importação de diesel

Para atender a essa sede por combustível, o Brasil deverá recorrer ao mercado externo em volumes históricos. No cenário base da consultoria, que considera a manutenção da mistura obrigatória de biodiesel em 15% (B15) ao longo de 2026, a demanda por diesel A (a parcela fóssil pura) ficará em 60,4 milhões de m³. Para suprir essa necessidade, as importações deverão somar 17,8 milhões de m³, o maior patamar já registrado na série histórica, representando uma participação de 29,3% na oferta nacional.

Em um cenário alternativo, que prevê a adoção do B16 (16% de biodiesel) a partir de julho, a demanda pelo diesel fóssil cairia para 59,9 milhões de m³, reduzindo as importações para cerca de 17,3 milhões de m³. Ainda assim, a fatia do produto importado permaneceria elevada, entre 29,0% e 29,3%. A produção nacional, por sua vez, deve ter um leve avanço, com a suspensão das operações da refinaria de Manguinhos sendo compensada por um calendário de manutenção mais enxuto nas refinarias da Petrobras. “A depender da evolução do mandato de biodiesel ao longo do ano, podemos observar diferenças relevantes na demanda por diesel A e no volume a ser importado“, ponderou Cordeiro.

Biodiesel

O biocombustível, peça-chave nessa equação, também tem projeções otimistas. Em um cenário de continuidade do B15, o consumo de biodiesel deve saltar para 10,4 milhões de m³ em 2026, um crescimento de 7,1% sobre 2025. Com a previsão da proporção B16 no segundo semestre, o patamar pode superar os 10,7 milhões de m³, uma alta de 10,8%.

Essa expansão tem impacto direto na cadeia da soja. A analista de Inteligência de Mercado Isabela Garcia destacou que, em um cenário de B16, a demanda por óleo de soja para produção de biodiesel pode chegar a 8,6 milhões de toneladas. “Uma eventual elevação da mistura amplia de forma significativa a necessidade de óleo de soja no mercado doméstico, reforçando o papel do biodiesel como vetor estrutural de demanda“, ressaltou. A consultoria, no entanto, mantém a cautela e ressalta que “trabalhamos com diferentes cenários porque ainda há incertezas sobre o cronograma de elevação da mistura” definido pelo CNPE .

Dados de 2025, inclusive, já mostram a força desse motor. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as vendas de diesel B no ano passado totalizaram 69,4 milhões de m³, alta de 3% e ligeiramente acima das previsões iniciais da StoneX. Já o consumo de biodiesel atingiu 9,7 milhões de m³ em 2025, um avanço de 7,4% na comparação com 2024. O quarto trimestre do ano passado foi particularmente forte, com vendas 9,7% superiores, puxadas por um dezembro aquecido e pelo consumo de 6,8 milhões de toneladas de óleo de soja. “O crescimento da demanda por diesel B e a elevação da mistura para 15% a partir de agosto foram determinantes para o avanço do consumo“, concluiu Isabela Garcia.

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