A Volvo encerrou 2025 com participação de 23,2% no mercado brasileiro de caminhões semipesados e pesados, mantendo a liderança do segmento mesmo em um ano de contração de 11% nas vendas totais da indústria. Para 2026, a montadora projeta um novo recuo, entre 5% e 10%, pressionado pela taxa básica de juros em 15% ao ano e pela deterioração fiscal do país — que elevou a relação dívida/PIB de 71% para 84% nos últimos três anos.
Em contraponto ao ciclo recessivo, a companhia anunciou nesta segunda-feira um pacote de R$ 2,5 bilhões em investimentos para o biênio 2026-2028, o maior da história da filial brasileira desde o início das operações em Curitiba, em 1979. Os recursos serão direcionados a novos produtos, serviços conectados, expansão da rede de concessionárias na América Latina e atualização tecnológica das linhas de caminhões e ônibus.

“O Brasil tem um encontro marcado com o ajuste fiscal. Isso impacta a taxa de juros e, consequentemente, a capacidade de investimento do transportador. Mas nossa visão é de longo prazo. Estamos ampliando o ciclo justamente porque acreditamos no potencial do país”, afirmou Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo para a América Latina, durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo.
O faturamento global do Grupo Volvo recuou para 479 bilhões de coroas suecas em 2025 (equivalentes a 45.385.594.880,00 bilhões de euros, ou, R$ 280.508.339.600,00), reflexo de uma redução de 5% no volume de entregas de unidades. A retração, no entanto, foi parcialmente compensada por um crescimento de 2% na receita com serviços — área que, na América Latina, avançou 120% nos últimos cinco anos.
No Brasil, a Volvo registrou 20.053 emplacamentos de caminhões em 2025, com receita de serviços crescendo 10% no período. A carteira de planos de manutenção atingiu 55 mil contratos, enquanto a plataforma de telemetria Volvo Connect alcançou 22 mil assinaturas — das quais 10 mil referentes ao sistema de condução inteligente CIV (Condução Inteligente Volvo), que promete redução de até 10% no consumo de combustível por meio de analytics preditivo.
A rede de seminovos, por sua vez, registrou o melhor resultado em 29 anos, com 2.669 unidades comercializadas em 2025, um crescimentoa de 50% ante o ano anterior, em um mercado que cresceu apenas 7%.
Desempenhos do FH e do VM
Pelo sétimo ano consecutivo, o Volvo FH 540 foi o caminhão pesado mais vendido do Brasil, com 5.403 unidades emplacadas. O modelo responde por 31% de participação no segmento de pesados, a maior fatia da marca em uma década, segundo dados da Fenabrave.
No segmento de semipesados, o Volvo VM 290 liderou com 4.320 emplacamentos. A versão vocacional VMX ampliou em 8% as vendas em aplicações off-road, com penetração de 25% no equipamento com retarder para mineração. O modelo mantém 50% de participação no mercado de betoneiras.
VFS com carteira de R$ 24 bi

A Volvo Financial Services (VFS) encerrou 2025 com carteira de crédito de R$ 24 bilhões, expansão de 12% na participação dos negócios da montadora financiados pela instituição. Foram R$ 5,5 bilhões em novas operações, das quais 55% via CDC e 45% via Finame.
A inadimplência, no entanto, apresentou elevação, sobretudo nos segmentos de transporte de combustível, construção e florestal, impactados pela alta dos juros e pelo aumento de tarifas americanas sobre insumos. “Nosso papel não é recuar nos ciclos de estresse, mas oferecer soluções customizadas com base em dados de telemetria e histórico operacional”, afirmou Silvia Gerber, presidente da VFS para a América Latina.
A carteira de seguros cresceu 37% em itens segurados, com R$ 179 milhões em prêmios vendidos. A locadora Volvo fechou o ano com 1.150 ativos contratados, alta de 15%, sob o modelo “caminhão como serviço”.
Expansão latina
A Volvo manteve a liderança no Peru, segundo maior mercado da região, com 21% de participação e 2.414 unidades entregues, considerando um ambiente onde os fabricantes chineses já somam 45% do mercado. O país foi reconhecido internamente como o mercado de maior destaque global da Volvo Caminhões em 2025.
Na Argentina, as entregas saltaram 190%, para 1.185 unidades, em um movimento de recuperação após anos de volatilidade cambial. No Chile, a marca alcançou a vice-liderança (19% de participação) e o primeiro lugar em satisfação do cliente.
No México, segunda maior economia da América Latina, a Volvo realizou as primeiras entregas da linha FH e lançou a linha VM no final de 2025. A expectativa é triplicar o volume neste ano, ainda que o país enfrente incertezas comerciais com os Estados Unidos.
