A Inteligência Artificial vem sendo assunto nos mais diversos campos da sociedade nos últimos anos. O uso produtivo dessa tecnologia na sociedade, claro, é um dos principais objetivos. Sendo assim, é inevitável imaginar que ela ficasse fora dos transportes.
A Inteligência Artificial (IA), criada nos anos 50, é a ferramenta que possibilita que computadores resolvam problemas inspirados nos humanos. Essa tecnologia permite uma capacidade de captação, processamento e análise de dados até então inimaginável. Então usamos dados para ensinar o computador como resolver aquilo.
Quando pensamos em transporte de cargas, essa inteligência ajuda, principalmente, na antecipação de problemas. Como anda o desgaste de pneus, como o motorista tem dirigido, entre outros exemplos. Já na logística, a ideia é automatizar a ganhar em produtividade. Fazer cada vez melhor, mais rápido e sem erros.
Mas e no transporte rodoviário de passageiros? Será que a introdução dessa ferramenta muda quando falamos de contato com o público?
Inteligência artificial aplicada na operação
Se você fosse viajar de ônibus no início dos anos 2000, provavelmente você teria que sair com algumas horas de antecedência da sua casa para chegar até a rodoviária, escolher um horário e comprar sua passagem no guichê.
Mas o que antes era totalmente analógico, hoje em dia caminha para se tornar mais dinâmico e automatizado. As embarcadoras buscam facilitar a jornada de compra do cliente. É possível realizar todo o processo de compra e reserva pela internet, por exemplo. Na hora do embarque você só apresenta o RG e um QR Code.
Mas além disso as empresas têm buscado IA para aprimorar o processo anterior à compra. Bruno Torres é Head de Growth Marketing da Embarca, uma startup de tecnologia pro mercado rodoviário, e comentou o uso de algoritmos nas operações.
“Tem alguns algoritmos sendo aplicados. Por exemplo, um deles faz uma leitura de mercado pra dar a precificação da passagem certa. Depois entra o entendimento da taxa de ocupação daquela viagem, se a data está próxima ou não. Tudo isso entra na conta.”

Vou comprar minha passagem por WhatsApp
Uma das características da IA é a integração entre programas e isso acontece através da venda de passagens realizada por WhatsApp pela Embarca.
“Ele roda como se você estivesse dentro do site. O usuário começa a conversa e segue todo o processo de compra. O bot vai te fazendo as perguntas e te devolve todo o itinerário. Então ele te direciona a um link externo para o pagamento. Assim como seria feito no site.”
Bruno também cita que futuramente o pagamento será feito dentro do WhatsApp e que o consumidor consegue mandar todas as informações via áudio pelo WhatsApp. “A ideia é facilitar ao máximo o processo e conectar tudo“, ele completa.
Eu sei exatamente a passagem que você precisa
O marketing digital usa muito a IA para entender o perfil do público. Saber o que, como e quando você precisa daquele produto. As empresas rodoviárias têm começado a andar por esse caminho também.
Existe um crescimento forte nas companhias que entenderam a necessidade de entregar o conteúdo conhecido no mercado como “Zero Moment“. Ou seja, no momento certo. Esse momento pode ser um grande feriado, onde a procura para certos destinos aumentam, por exemplo. A IA capta todas as informações disponíveis e traça essa oferta.
“Eu sou de Curitiba e costumo ir pra lá a cada 15 dias. Então o sistema sabe que eu vou precisar daquela passagem nesse espaço de tempo.” Explica Bruno.
Mas o público tem aceitado bem as inovações?
Tudo que gira em torno de tecnologia costuma receber olhos de desconfiança no começo. Principalmente em gerações antigas, o ceticismo em torno de novas soluções é comum.
“A pandemia trouxe uma aceleração com a internet, é fato. Mas a gente ainda tem uma movimentação pra acontecer com o público. Tem uma galera que ainda é fiel ao guichê.” Comenta Bruno.
Mas por outro lado ele pontua que a tecnologia já vem evoluindo a há tempos no assunto ônibus. Ainda existem empresas mais céticas que não arriscam tanto e preferem deixar para a concorrência fazer antes. Mas Bruno cita que já é algo que estava em curso.
“A gente só transpôs a aplicação dela pra venda de passagens agora. Antes estava só no veículo, com as super poltronas, wi-fi e coisas assim.”
O transporte de rodoviário de passageiros sofreu um baque óbvio na pandemia, mas vem crescendo em números e principalmente em qualidade e no conforto.
“Eu hoje opto pelo ônibus pelo conforto e pelo valor. O ônibus é necessário, a gente pensa só no turismo, mas tem uma ascensão do rodoviário para esse dia-a-dia. As pessoas vêm descobrindo essa evolução desde a compra até o embarque.” Conclui Bruno.
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