O Banco Mundial afirmou, nesta terça (28), em estudo sobre o setor automotivo a ser apresentado, que o novo programa de estímulo em elaboração pelo governo Temer, o Rota 2030, parece herdar pelo menos duas desvantagens do programa anterior, o Inovar-Auto, que vence em dezembro: mantém o foco no mercado doméstico em detrimento das exportações e privilegia as grandes montadoras no lugar de fornecedores.
Ainda assim, segundo a instituição, a nova política tem potencial para ser mais eficiente do que a antecessora, à medida que elimina o tratamento diferenciado dado a veículos produzidos no Brasil em relação aos importados. O regime levou o Inovar-Auto a ser condenado pela OMC (Organização Mundial do Comércio).
De acordo com o estudo, o nível atual de proteção no setor automotivo reduz o incentivo à inovação e o alcance das exportações porque torna os custos mais altos e a qualidade mais baixa em relação a padrões internacionais.
O relatório sugere uma revisão da estrutura tarifária para reduzir o custo de insumos importados intensivos em tecnologia e inovação. Essa verificação somada à eliminação do IPI extra para veículos importados ajudaria a consolidar o setor em torno de modelos de veículos competitivos a nível mundial.
Segundo o Banco Mundial, o Inovar-Auto falhou na tentativa de tornar a indústria brasileira mais competitiva e não teve efeito sobre níveis de produção e emprego. Desde 2013, o programa destinou ao setor R$ 6,5 bilhões em descontos de impostos. A previsão é que o Rota 2030 conceda benefícios tributários às empresas no valor de R$ 1,5 bilhão por ano.
Fonte: Folha de São Paulo
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