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Mobilidade Urbana | quarta-feira, 03/08/2016 01:11

Para especialistas, legado de mobilidade dos Jogos será insatisfatório

Cenário indica que, quando encerrada a Olimpíada, os moradores do Rio ainda não estarão atendidos em suas necessidades de transporte
mobilidade urbana

Especialistas ouvidos pelo Estado avaliam que os torcedores não terão muita dificuldade para se deslocar entre as arenas. Mas afirmam que o legado deixado para os cariocas será insatisfatório, pois, passada a Olimpíada, os moradores ainda não estarão atendidos em suas necessidades de transporte do dia a dia. Por conta dos engarrafamentos, que já começaram, a prefeitura decretou um novo feriado, o quarto, amanhã.

“O trajeto da linha 4 não é o que se queria, e o BRT não tem a alta capacidade que deveria para atender à população da zona oeste. Mas durante a Olimpíada tudo indica que vá dar certo, porque os deslocamentos serão em condições artificiais criada pela prefeitura, com as crianças de férias e as faixas exclusivas nas ruas para os ônibus. Isso não vai ser a realidade dos moradores ao fim da Olimpíada”, alerta Marcus Quintella, especialista em mobilidade urbana e professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas.

Para o período da Olimpíada, Quintella defende o incentivo à opção ferroviária: de trem, chega-se às competições de Deodoro, como basquete, hipismo e hóquei, ao complexo Maracanã/Maracanãzinho, onde serão realizadas as cerimônias de abertura e encerramento e partidas de vôlei e futebol, e ao Estádio Olímpico, casa do atletismo e também do futebol. As seis estações que levam a essas arenas – Deodoro, Vila Militar, Magalhães Bastos, Ricardo de Albuquerque, Engenho de Dentro e São Cristóvão – foram modernizadas para os jogos.

Carros particulares, táxis e Uber são contraindicados. Por causa das faixas olímpicas nas ruas, de uso exclusivo ou compartilhado com veículos de delegações, árbitros e dirigentes, o trânsito na cidade se deteriorou rapidamente. Na segunda-feira, foram mais de cem quilômetros de engarrafamento, especialmente na Linha Amarela, o que levou o prefeito Eduardo Paes a adotar o novo feriado.

Metrô

Fundamental por conectar o Rio turístico (Copacabana/Ipanema) ao Jardim Oceânico, no começo da Barra, de onde sai o BRT para o Parque Olímpico, o Campo Olímpico de Golfe, o Riocentro e o Pontal, a linha 4 do metrô era a grande dúvida, uma vez que o cronograma de obras era bem justo. Foi inaugurada sábado passado pelo presidente em exercício, Michel Temer. Nos dois primeiros dias de operação, segunda e terça, as viagens transcorreram sem problemas.

A dois dias da abertura dos jogos, pessoas que estão trabalhando na região do Parque Olímpico e usando o metrô se queixam da demora para embarcar no BRT e seguir viagem. Os dois modais são ligados – basta sair do metrô e subir uma escada para se chegar ao terminal do BRT – mas não estão sincronizados. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, o intervalo programado está sendo cumprido: em média, 16 minutos nos horários de pico e 20 em horários de menor movimentação. Outra queixa é o fato de o BRT estar funcionando somente até as 23h. Só a partir do início dos Jogos o serviço até o Terminal Olímpico será 24 horas.

Até o fim dos Jogos Olímpicos, dia 21, só são aceitos no embarque o RioCard olímpico. A capacidade da linha 4 será de 11 mil passageiros a cada hora por sentido.

O BRT Transolímpico, com quatro estações e três terminais funcionando, também só pode ser acessado com o cartão olímpico.

A prefeitura se ressente da baixa procura pelo cartão, que dá direito a viagens ilimitadas em qualquer modal (BRT, ônibus comum, trem, metrô) e custa R$ 25, válido por um dia, R$ 70, para três dias, e R$ 170, válido por uma semana. Só foram vendidas 73,3 mil unidades. A expectativa inicial era de um milhão de usuários.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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