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Conjuntura | terça-feira, 14/11/2017 02:38

Montadoras fazem apelo ao governo por um novo regime automotivo

Representantes das principais montadoras do país se reúnem nesta terça-feira com o presidente Michel Temer para discutir manutenção de políticas industriais
Em meio à contagem regressiva para o fim do Inovar-Auto, que já foi condenado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) e expira no dia 31 de dezembro, executivos de 19 montadoras levam nesta terça-feira (14) ao Palácio do Planalto um apelo pela manutenção de políticas industriais para o setor. 
 
Depois de sete meses de discussão e 104 reuniões, muitas delas com a participação das empresas e de sindicatos dos trabalhadores, um novo regime automotivo está pronto. Batizado de Rota 2030, ele depende de uma medida provisória para entrar em vigência, mas provocou discórdia entre a equipe econômica e a ala desenvolvimentista na Esplanada dos Ministérios.
 
Diante do risco da perda de incentivos para fazer novos investimentos, os executivos das fabricantes vão expor diretamente ao presidente Michel Temer sua preocupação com o impasse em torno do projeto. CEOs de empresas como Volkswagen, Fiat Chrysler, Nissan, Hyundai, Scania, Peugeot Citröen, BMW e Jaguar Land Rover são aguardados. 
 
“Está cada vez mais difícil chegar a um consenso”, admitiu o ministro da Indústria, Marcos Pereira, que tem liderado a formatação do novo programa. As últimas reuniões no Planalto para debater o assunto, sob comando da Casa Civil, terminaram sem acordo. Se uma definição não for tomada até o fim de dezembro, a indústria automotiva ficará sem política industrial a partir da virada do calendário. 
 
“Vários países do mundo e em diferentes graus de desenvolvimento, dos Estados Unidos à África do Sul, têm política automotiva. É um segmento que representa 4% do PIB no Brasil, 20% da indústria de transformação, gera 1,6 milhão de empregos diretos ou indiretos, deixa R$ 40 bilhões nos cofres públicos em impostos e tem sido um dos responsáveis pela melhoria da balança comercial”, afirma o ministro.
 
Apesar da condenação do Inovar-Auto, o Ministério da Indústria (Mdic) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) argumentam que ela teve um papel positivo, mesmo já esgotado.
 
Exemplos: houve investimentos de R$ 40 bilhões na ampliação e modernização das linhas de produção, o gasto em pesquisa e desenvolvimento de engenharia nas montadoras chega a 2,7% do faturamento (a média no restante da indústria é de 0,7%), o número de patentes depositadas no setor era de apenas nove antes do Inovar-Auto e hoje são 58. 
 
“Políticas de curto prazo ficam na indefinição do que vem depois. Se não tivermos uma continuidade, esse esforço pode cair por terra”, afirma o presidente da Anfavea, Antônio Megale. “O Rota 2030 permitiria organizar a indústria de olho no longo prazo, com foco na eficiência energética e na segurança veicular. Uma política industrial que veja esses pontos é absolutamente crucial”. 
 
Procurada, a assessoria do Ministério da Fazenda evitou rebater as críticas. “O Mdic, a Fazenda e a Casa Civil estão debatendo o assunto e as conversas estão evoluindo. Há ainda questões em aberto que envolvem regras da OMC e o regime tributário, mas as conversas têm sido produtivas e levarão a um entendimento e a um posicionamento do governo”. 
 

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