Empresários pedem suspensão de crédito para caminhões

    Em reunião com mais de 300 empresários na semana passada, proprietários pediram que a NTC&Logística, entidade que reúne empresas de transportadores de carga do país, solicite ao governo a paralisação do financiamento de novos veículos de carga por um prazo determinado. A medida seria uma forma de evitar uma piora ainda maior do mercado de transporte de cargas em 2016.

    Com excessode caminhões no mercado e redução da quantidade de carga pela recessão da economia (analistas estimam que houve retração de 3,8% do PIB), 2015 teve uma queda generalizada dos preços dos fretes em todos o país, piorando a situação das companhias que transportam produtos de outras empresas.

    Na semana passada, o governo anunciou um pacote de medidas para estimular a concessão de R$ 83 bilhões em crédito com o objetivo de reativar a economia.

    “O nosso setor investiu muito na aquisição de frota, acreditando no crescimento do país. Como a economia caiu e a oferta de transporte aumentou, o efeito agora é o contrário. Quanto maior a oferta, o preço cai”, disse José Hélio Fernandes, presidente da NTC&Logística.

    O BNDES tem uma linha de crédito específica para a venda de caminhões que, de 2008 a 2014, ficou com juros subsidiados pelo chamado PSI (Programa de Sustentação de Investimentos). Nesse período, foram emprestados R$ 122 bilhões para a compra de caminhões e ônibus, segundo dados obtidos pela Folha.

    Em 2015, o governo acabou com os subsídios nessa linha. Mesmo assim, ela ainda tem juros mais baixos que a média do mercado. O dinheiro barato deixou como herança um excedente de 200 mil caminhões, segundo estimativa do setor.

    Defasagem

    Com oferta excessiva, os empresários estão reduzindo preços para se manter no mercado. Os preços mais baixos do transporte deveriam refletir em redução dos preços dos produtos ao consumidor, mas não há evidências de que isso venha ocorrendo.

    A NTC apresentou pesquisa semestral sobre os preços de frete mostrando uma defasagem de 13% do preço médio em relação aos custos de transporte.

    O presidente da NTC&Logística afirmou que não se tirou uma resolução para pedir a suspensão dos financiamentos porque a maioria dos empresários concluiu que não era necessária.

    Segundo ele, dificilmente haverá mais compras nos próximos anos, mesmo com o refinanciamento das dívidas anunciado pelo governo.

    Fonte: Folha de S. Paulo

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